Como os jovens encaram a própria sexualidade
Com o objetivo de entender o que pensa o jovem brasileiro, estudo realizado pelo Portal Educacional investigou o comportamento de cerca de 6.300 estudantes em todo País
Como o jovem brasileiro encara a questão da sexualidade? Esta foi a pergunta que mobilizou 6.308 alunos de escolas particulares de todo o Brasil no projeto “Este Jovem Brasileiro”, desenvolvido pelo Portal Educacional (www.educacional.com.br) com a participação do psiquiatra Jairo Bouer, integrante da equipe idealizadora do projeto. A iniciativa teve por objetivo compreender a relação dos jovens com o tema, para estimular ações educativas que ajudam a minimizar comportamentos de risco. Trazendo o assunto no formato de uma pesquisa on-line, com questões de múltipla escolha, o projeto “Este Jovem Brasileiro” mensurou como os jovens se comportam frente a temas delicados como o uso de camisinha, anticoncepcionais convencionais e também a pílula de emergência (pílula do dia seguinte), isso sem falar da multiplicidade dos parceiros sexuais. Os resultados indicaram que 86% dos jovens já “ficaram” pelo menos uma vez na vida e, no momento em que responderam ao questionário, apenas 20% estavam efetivamente namorando. O estudo também revelou que os namoros nesta faixa etária tendem a ser curtos, e um quarto deles dura apenas de 1 a 3 meses.
Subsídios
“A execução do projeto foi um verdadeiro sucesso! Afinal, conseguimos mobilizar alunos de todo o Brasil para discutir um tema importante, porém de maneira mais leve e cuidadosa”, afirma Andréa Maia de Santana, gerente da Central de Projetos do Portal Educacional. “O sucesso da pesquisa é o anonimato dos alunos que participaram, pois, muitas vezes, ajuda aqueles que têm dificuldade de falar sobre o assunto. Agora, com os dados apurados, as escolas têm em mãos ricos subsídios para desenvolver propostas educativas interessantes e adequadas ao perfil destes jovens”, complementa a educadora. Os resultados da pesquisa foram avaliados pela equipe multidisciplinar do Portal Educacional e também pelo especialista Jairo Bouer. Segundo o psiquiatra, que é referência nacional em saúde e comportamento dos jovens, os dados identificam alguns pontos frágeis, que merecem reflexão dentro e fora da sala de aula. No que diz respeito às relações sexuais, por exemplo, os números apontam que com as meninas a primeira vez acontece, geralmente, aos 15 anos e, no sexo oposto isso acontece um ano antes. Também se observa que há menor rotatividade de parceiros entre as meninas. A maior parte das garotas - mais de 70% -, teve relações sexuais com companheiros fixos, provavelmente namorados. Já a maioria dos garotos - 57% - relata experiências com parceiras eventuais.
Imaturidade
Outros dados críticos revelam que, devido à imaturidade e à falta de informação, somente 38% dos entrevistados usam outro método anticoncepcional além da camisinha. Além disso, apesar de usarem com relativa freqüência a camisinha, a pesquisa revela também que quase a metade das meninas que teve relações sexuais já achou que poderia ter engravidado. Dessas, 31,5% recorreram à pílula de emergência (pílula do dia seguinte). Ações educativas Os resultados gerais da pesquisa, com os números da sondagem e as conclusões de Bouer, estão publicados no Portal Educacional e as escolas participantes que atingiram uma amostra significativa estão recebendo seus números individualizados, com a recomendação de que sejam transmitidos aos alunos e discutidos junto com os professores para delinear estratégias capazes de diminuir a exposição a situações de risco e melhorar o rendimento na escola. O anonimato dos participantes que responderam à pesquisa é obviamente garantido. E para quem questiona o valor de pesquisas feitas pela internet, Andréa Santana ressalta que, embora possam ser alvo de críticas quanto à suposta ausência de cientificidade na sua elaboração, “qualquer investigação sobre a realidade que adote critérios objetivos e racionais no desenvolvimento e na coleta dos dados, e que conte com tratamento rigoroso e anônimo das respostas está, em maior ou menor medida, reproduzindo um procedimento científico”. Para este segundo semestre, o projeto “Esse Jovem Brasileiro” está promovendo um concurso com o tema “Camisinha: mantenha essa idéia ativa!”. Nele, os alunos são convidados a usar a criatividade e elaborar materiais como cartazes, vídeos e jingles, que devem ser enviados para serem julgados pela banca examinadora até o dia 17 de setembro. Os melhores trabalhos serão premiados com MP3 e o audiolivro “Garotas/Garotos perguntam – Dr. Jairo Bouer responde”. A escola que tiver o trabalho premiado em 1º lugar também ganha uma visita do Dr. Jairo Bouer.
Na sala de aula
Falar sobre sexo na sala de aula sempre é uma experiência inovadora, porque o tema gera muita curiosidade e atrai a atenção de todos os alunos. A afirmação é de Margarete Ruberto do Colégio Portinari. “Esse assunto precisa ser inserido sempre, desde a primeira série, claro que respeitando os limites de interesse e a idade dos alunos. A escola tem um projeto onde todos os professores, não somente os da área de ciências e biologia, são devidamente preparados para conversar com a classe sempre que o tema entra em pauta. Há inclusive a caixa de perguntas, onde os estudantes inserem suas dúvidas sem precisar se identificar e esses temas são debatidos e explicados em classe. Já no ensino médio, de acordo com Margarete, os alunos tem também além dos ensinamentos sobre biologia e ciências, um espaço para debater sobre como as mudanças hormonais podem influenciar nos comportamentos de meninos e meninas e os assuntos como TPM, cólica menstrual, uso de preservativo, importância de se consultar um profissional da saúde como o ginecologista e o urologista estão sempre sendo comentados. Sexualidade é um termo amplamente abrangente que engloba inúmeros fatores e dificilmente se encaixa em uma definição única e absoluta. A educadora reforça que teoricamente, a sexualidade assim como a conhecemos, inicia-se juntamente à puberdade ou adolescência, o que deve ocorrer por volta dos 12 anos de idade (Art. 2º - Estatuto da Criança e do Adolescente). Entretanto, em prática, sabemos que não se configura exatamente desta forma. O termo “sexualidade” nos remete a um universo onde tudo é relativo, pessoal e muitas vezes paradoxal. “Pode-se dizer que é traço mais íntimo do ser humano e como tal, se manifesta diferentemente em cada indivíduo de acordo com a realidade e as experiências vivenciadas pelo mesmo”, completa.
Sexualidade
Para a sexóloga e ginecologista Maria Ester Vieira, a noção de sexualidade como busca de prazer, descoberta das sensações proporcionadas pelo contato ou toque, atração por outras pessoas (de sexo oposto e/ou mesmo sexo) com intuito de obter prazer pela satisfação dos desejos do corpo, entre outras características, é diretamente ligada e dependente de fatores genéticos e principalmente culturais. O contexto influi diretamente na sexualidade de cada um. “Muitas vezes se confunde o conceito de sexualidade com o do sexo propriamente dito. É importante salientar que um não necessariamente precisa vir acompanhado do outro. Cabe a cada um decidir qual o momento propício para que esta sexualidade se manifeste de forma física e seja compartilhada com outro indivíduo através do sexo, que é apenas uma das suas formas de se chegar à satisfação desejada. Sexualidade é uma característica geral experimentada por todo o ser humano e não necessita de relação exacerbada com o sexo, uma vez que se define pela busca de prazeres, sendo estes não apenas os explicitamente sexuais. Pode-se entender como constituinte de sexualidade, a necessidade de admiração e gosto pelo próprio corpo por exemplo, o que não necessariamente signifique uma relação narcísica de amor incondicional ao ego”, explica. A médica ainda frisa que existem diferentes abordagens do tema que variam de acordo com concepções e crenças convenientes a cada um. Em alguns lugares pode-se encontrar visões preconceituosas sobre o assunto. Em outros, é discutido de forma livre e com grande aceitação de diferentes olhares ao redor do termo. Algumas vertentes da psicologia, como a psicanálise Freudiana, consideram a existência de sexualidade na criança já quando nasce. Propõe a passagem por fases (oral ,anal, fálica) que contribuem ou definem a constituição da sexualidade adulta que virá a desenvolver-se posteriormente. Seja qual for a sua visão íntima sobre o assunto, é interessante que se possa manter uma relação de compreensão e aceitação de sua própria sexualidade. O esclarecimento de dúvidas e a capacidade de se sentir vontade com seus desejos e sensações, colabora imensamente ao amadurecimento desta, o que gera sensação de conforto e evita conflitos internos provenientes de dúvidas e medos, gerando uma experiência positiva e saudável.
De pai para filho
Dra. Maria Esther acha fundamental que o tema não seja tabu dentro de casa. “Embora os adolescentes recebam muita informação a respeito nem sempre as colocam em prática. E essa noção de se ter responsabilidade com o outro e também com o próprio corpo é uma lição que se aprende desde a mais tenra idade. Não adianta falar para criança, por exemplo, que é importante tomar banho se não mostrar a ela a “responsabilidade” e o que “implica” o não tomar banho. Outro exemplo, se uma criança vai lavar a louça, não adianta dizer a ela como se lava se não orientar que ela precisa tomar cuidado com o copo que é de vidro e pode quebrar e provocar com isso um ferimento. O pai e a mãe não devem proibir a criança de pegar uma faca na gaveta, deve mostrar a ela como se segura o objeto para não provocar acidente, e com a sexualidade também pode ser assim, de forma direta e simples, mas sempre com responsabilidade, avisa.”
PORTAL EDUCACIONAL Criado em 2000 e contando com toda a credibilidade e experiência em sala de aula do Grupo Positivo, o Portal Educacional é mantido por uma equipe multidisciplinar da divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática. São 200 pessoas envolvidas diretamente no desenvolvimento e atualização do conteúdo, além de diversos colaboradores como Celso Antunes, Jairo Bouer, Rubem Alves e Ziraldo, O Portal Educacional é um ambiente com milhares de informações organizadas e avaliadas para Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, ao qual escolas particulares de todo o Brasil podem se associar, mantendo suas próprias homepages e disponibilizando serviços e conteúdos personalizados, como a Oficina do Texto que contabiliza a produção de milhares de obras diferentes, entre livros e jornais. |