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  Notícia >> Lucas Babolin não resiste e morre na véspera da viagem  (10/8/2009)
 
 
Lucas Babolin não resiste e morre na véspera da viagem

Assis Cavalcante

Ontem, quando a maior parte do Mundo comemorava o Dia dos Pais, o autônomo Luis Renato Babolin chorava a perda do filho, ao lado da esposa Neide Aparecida Bueno. Lucas Henrique Babolin, de 7 anos, morreu às 3h de ontem de insuficiência respiratória em decorrência do estado delicado em que se encontrava desde 18 de dezembro de 2007, por conta de acidente que sofreu.

Naquele dia, o menino brincava nas proximidades do Residencial Dr. Olindo De Luca, quando um carro passou por cima de seu tornozelo esquerdo, causando fratura exposta. Levado à Santa Casa, teve complicações durante a anestesia geral. A família aponta que um erro médico fez com que ele entrasse em estado de coma, por conta de uma momentânea falta de oxigenação no cérebro. Desde então, a rotina dos pais, familiares e amigos mudou. A luta para que Lucas tivesse uma chance de voltar a ser como antes mobilizou toda a sociedade limeirense, que colaborou com campanhas para arrecadação de fundos. Primeiro, para a manutenção de custos diários e depois, para que ele pudesse ser salvo por uma das últimas esperanças da ciência: o transplante de células-tronco.
Ironicamente, a morte de Lucas ocorreu na véspera da viagem a Nanjing, na China, onde seria submetido ao procedimento. Mesmo sem ter conseguido o montante de R$ 150 mil necessários (faltavam ainda R$ 15 mil), o casal havia antecipado a viagem, na esperança de curar o filho. Eles sairiam de Limeira à 1h30 de hoje, para embarque às 6h no Aeroporto de Cumbica, em São Paulo. “Isso não está acontecendo, a gente ia viajar amanhã”, gritava Babolin, aos prantos, olhando o caixão. “Filho, perdoa, papai fez o que pôde”. A sala número 2 do velório do Cemitério Parque era pequena para tanta gente que prestava a última homenagem ao símbolo de esperança pela vida. O clamor tomava conta de todos. “Meu bebê foi embora, minha vida foi embora, não é justo”, lamentava Neide.
Muitas das pessoas presentes vestiam a camiseta da campanha, com as palavras “Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança para viver”. Uma delas era a vizinha Maria José Gomes, 43. “Sou mais amiga que vizinha. Vinha acompanhando tudo de perto, as dificuldades, esperanças. A mãe perdeu o emprego e o pai vendeu o caminhão que possuía”, disse, enquanto limpava os olhos.
Em determinado momento da oração, feita por Humberto Evilásio César, da Comunidade Evangélica Filadélfia, Luís Renato não resistiu à emoção e saiu da sala aos prantos. A dificuldade das pessoas de entrarem no recinto fez com que o caixão fosse removido, na meia hora final do velório, para a ala externa, mais ampla. Mas o local novamente tornou-se pequeno para tanta gente que ali chegava.
O prefeito Sílvio Félix (PDT) e a esposa Constância estavam entre as pessoas que tentaram consolar os pais de Lucas. Já passava das 14h, horário marcado para o enterro, quando a avó paterna pediu para que o caixão fosse novamente aberto, para despedir-se. Ela não resistiu e desmaiou, sendo carregada até o lado de fora. A Luís Renato e Neide ainda resta o consolo de cuidar da filha de 4 anos.
 
 






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