Retrato falado ajuda DDM a prender acusado de molestar criança de 5 anos
Assis Cavalcante
Antes mesmo que fosse divulgado pela imprensa, o retrato falado do homem que na noite do dia 1º tentou estuprar uma menina de 5 anos em prédio em construção da Vila Piza levou à prisão do criminoso, no início da noite de ontem. O acusado é J.L.F.M.S., 20 anos, morador do Jardim Nova Suíça, que admitiu as acusações, embora não tenha explicado com clareza os motivos.
Conhecido como “João Doido”, o rapaz foi reconhecido por um editor de imagem da TV Jornal, que já havia visto o seu rosto durante uma reportagem da Guarda Municipal, dias antes. Nas imagens, João era espectador de uma abordagem feita pelos GMs. Os investigadores Sérgio Ramos e Souza, que tinham ido à TV para entregar o material preparado pelo Setor de Arte Forense da Delegacia Geral de Polícia (DGP), foram à residência do acusado, localizada na Avenida Assis Brasil, 725, e o detiveram. O rapaz, que apresenta visível perturbação mental e já foi interno do Lar Ernesto Kühl, admitiu ter levado a criança para o conjunto de prédios de construção inacabada, que fica na Rua Professor Zeferino Vaz, Vila Piza. “Queria dar uma volta com ela”, afirmou. URSINHO
Segundo consta, a criança voltava de uma igreja com a mãe, quando desgarrou-se e ficou desaparecida por um certo tempo. Moradores relataram ter visto a criança em companhia de um homem que segurava um ursinho de pelúcia, nas cores branco e preto. Outras pessoas ouvidas por policiais militares e guardas municipais disseram ter visto o homem com o ursinho nos braços, próximo à igreja evangélica. O fato é que a menina reapareceu despida na rua, chorando muito. Foi recolhida e entregue aos pais. No prédio, cuja retomada das obras foi anunciada por uma construtora para esta semana, já ocorreram pelo menos três homicídios. Ali se reuniam usuários de drogas e virou ponto de pernoite de desocupados, passando a oferecer grande risco a moradores da região. No dia seguinte ao registro do caso no plantão, o repórter Carlos Gomide, da Gazeta, foi ao local e encontrou em um dos andares um par de sandálias de criança, cor-de-rosa e o urso. Os objetos foram recolhidos por operários na terça-feira e logo desapareceram.
MORDIDAS
Além de apresentar escoriações pelo corpo, a menina apresentava marcas de mordidas na região genital e nádegas, tendo que permanecer internada por três dias na Santa Casa. “Mordi porque estava com raiva, estava nervoso”, admitiu, ao ser questionado. Quando ouvido pela delegada Andréa Rachid Arnosti Pavan e escrivão Reginaldo Bernardo, ele disse que levou a menina no colo até o interior do prédio abandonado. Como ficou cansado após subir tantos degraus, largou-a ao chão, causando os arranhões. Como a vítima passou a chorar, ele ficou irritado e passou a mordê-la. Disse que a menina chorava e queria os pais. “Como eu não sabia quem eram seus pais, deixei ela lá e fui embora”, relatou. Disse que do local, ele dirigiu-se caminhando até a sua residência. Admitiu que usou o urso de pelúcia, que achou na rua ao catar recicláveis, para atrair a menina. Mas mesmo questionado, não fez nenhum comentário de conotação sexual. “Só queria dar umas voltas com ela. Eu estou preso? Quando vou pra casa?”, perguntava.
TEMPORÁRIA
A delegada Andréa comentou que da condição psicológica do envolvido, ela disse seguir os procedimentos normais, explicando que o fato de ele futuramente vir a ser considerado inimputável (a quem não se pode imputar crime) só mesmo diante de prova técnica e perícia. O rapaz está em prisão temporária, que foi decretada pela Justiça a seu pedido, por período de 30 dias. As acusações são de atentado violento ao pudor (Artigo 214 do Código Penal Brasileiro) combinado com violência presumida (Artigo 224, Letra “a” do CPD). Dra. Andréa se disse aliviada com a prisão do acusado, a quem os investigadores da DDM tem dedicado a maior parte do tempo na captura. Segundo ela, havia o risco iminente de outras crianças serem vítimas dessa pessoa, que causava medo à sociedade. Na delegacia, João Louco assinava os papéis sem ter assimilado que ia para a cadeia e perguntava o porquê de estar de algemas. Reconhecido mesmo através do retrato falado pela menina, ele será mantido no setor de custódia de presos da Seccional de Limeira.
Retrato falado impressiona pela incrível semelhança
O retrato falado que levou à prisão do acusado de tentar estuprar a criança de 5 anos há 10 dias foi feito com a ajuda de duas pessoas que viram o envolvido segurando o ursinho de pelúcia nas proximidades de igreja evangélica da Vila Piza e depois levando a criança no colo. E impressiona pela incrível semelhança com o homem preso. As duas testemunhas foram levadas ontem ao Setor de Arte Forense da Delegacia Geral de Polícia, em São Paulo, pelos investigadores Souza e Sérgio Ramos. Demorou cerca de uma hora e meia para que o perito Lino José Barros ouvisse a descrição das testemunhas, em separado e pudesse montar o rosto em programa de computação gráfica que chega a resultados semelhantes a uma fotografia. “Tão parecido que prendemos antes de divulgar a imagem na imprensa”, comemoravam os policiais. (Assis Cavalcante) |