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Medicações, multimorbidades e o mais importante

Queridos leitores, quando se fala em demência, a maioria das pessoas ainda associa o tema exclusivamente à velhice. Essa visão, porém, já não corresponde ao que a ciência vem demonstrando. Atualmente, sabe-se que as doenças neurodegenerativas não surgem de forma abrupta na terceira idade.
Em muitos casos, o processo de adoecimento do cérebro pode se iniciar décadas antes, inclusive a partir
dos 40 anos de idade. 
Na quarta década de vida, o indivíduo geralmente está no auge da produtividade profissional e social. Justamente
por isso, sinais iniciais de sofrimento cerebral costumam passar despercebidos ou ser atribuídos ao “estresse do dia a dia”. Alterações persistentes do sono, cansaço mental, dificuldade de concentração, irritabilidade e lapsos
de memória leves podem ser manifestações iniciais de um processo silencioso que merece atenção.
O sono tem papel central Nesse contexto. Durante o sono profundo, o cérebro ativa mecanismos responsáveis pela eliminação de substâncias tóxicas produzidas ao longo do dia. A privação crônica de sono ou um sono de má qualidade compromete essa função, favorecendo o acúmulo de proteínas associadas ao declínio cognitivo
e à demência. Dormir bem não é luxo; é uma necessidade biológica essencial para a saúde cerebral.
O estresse crônico também exerce um impacto direto sobre o cérebro. A exposição prolongada ao
cortisol, hormônio liberado em situações de estresse, afeta áreas fundamentais para a memória e o aprendizado, como o  hipocampo. Além disso, o estresse contínuo contribui para processos inflamatórios e para o descontrole
de doenças metabólicas,  criando um ambiente propício ao adoecimento neurológico. 
Outro ponto importante  é a inflamação crônica de baixo grau, frequentemente associada ao estilo de vida moderno. Alimentação  inadequada, sedentarismo, obesidade, diabetes, hipertensão e resistência à insulina não afetam
apenas o coração e os vasos.
Essas condições comprometem a circulação cerebral, prejudicam a comunicação entre os neurônios e aceleram processos neurodegenerativos, muitas vezes ainda sem sintomas evidentes.
Falar de demência, portanto,  vai muito além de falar de memória na velhice. 
Trata-se de compreender que a saúde do cérebro é construída ao longo da vida. A prevenção deve começar cedo e envolve escolhas diárias conscientes. 
“Doutor, e o que eu devo fazer a partir dos 40 anos para proteger o cérebro? ”
A partir dos 40 anos, algumas atitudes tornam-se fundamentais para reduzir o risco de demência no futuro:
Priorizar o sono de qualidade, buscando regularidade de horários e um sono realmente reparador.
Praticar atividade física regularmente, pois o exercício melhora a circulação cerebral e estimula a formação
de novas conexões entre os neurônios. 
Adotar uma alimentação equilibrada, rica em alimentos naturais, frutas, legumes, verduras, peixes e gorduras saudáveis, reduzindo ultraprocessados e açúcares.
Controlar doenças metabólicas, como diabetes, hipertensão, obesidade e dislipidemias, que têm impacto
direto sobre a saúde cerebral.
Manejar o estresse, aprendendo a respeitar limites, investir em momentos de lazer, relaxamento e
saúde emocional.
Estimular o cérebro, por meio da leitura, aprendizado contínuo, atividades sociais e novos desafios cognitivos.
Manter acompanhamento médico regular, permitindo a identificação precoce de fatores de risco e alterações silenciosas.
Cuidar do cérebro aos 40 anos é uma atitude de responsabilidade com o futuro. Quanto mais cedo
esses cuidados forem incorporados, maiores são as chances de preservar a memória, a autonomia e a
qualidade de vida nas décadas seguintes. Tenham todos uma boa semana.

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