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Por que os infartos estão aparecendo mais cedo?

Queridos leitores, nos últimos meses tenho ouvido uma pergunta com frequência no consultório e também fora dele:


“Doutor, é verdade que os infartos estão acontecendo cada vez mais em pessoas mais jovens?”


De fato, alguns estudos internacionais têm observado um aumento de eventos cardíacos em adultos mais jovens, especialmente abaixo dos 55 anos. Não se trata de uma explosão repentina, mas de uma tendência que vem sendo observada ao longo da última década.

Isso naturalmente gera preocupação e também muitas dúvidas. Algumas pessoas perguntam se isso teria relação com vacinas, outras associam ao estresse da vida moderna. A verdade, como quase sempre na medicina, é mais complexa e envolve vários fatores.

O principal motivo apontado pelos especialistas é o aumento precoce de fatores de risco cardiovasculares. Hoje vemos cada vez mais adultos jovens apresentando hipertensão, obesidade, diabetes e colesterol elevado, condições que antes eram mais comuns em idades mais avançadas.

Além disso, o estilo de vida moderno também tem exercido um papel importante. Sedentarismo, alimentação baseada em produtos ultraprocessados, privação de sono, uso abusivo de bebida alcoólica e níveis elevados de estresse formam uma combinação que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular ao longo dos anos.

Outro aspecto que merece atenção é que muitas pessoas jovens não realizam acompanhamento médico regular. Assim, fatores de risco silenciosos podem permanecer por anos sem diagnóstico ou tratamento adequado.

Durante a pandemia também ocorreu uma mudança no comportamento de saúde da população. Muitas pessoas deixaram de realizar consultas e exames de rotina, houve redução da atividade física e aumento do estresse emocional. Esses fatores podem ter contribuído indiretamente para o agravamento de doenças cardiovasculares.

Com relação às vacinas contra a COVID-19, é importante esclarecer que até o momento não existem evidências científicas sólidas demonstrando aumento de infartos relacionado à vacinação. Alguns eventos raros, como inflamação do músculo cardíaco em jovens, foram descritos, mas são incomuns e, na maioria das vezes, evoluem de forma leve e transitória. Curiosamente, o próprio vírus da COVID pode causar inflamação vascular e aumentar o risco cardiovascular.

Em outras palavras, o que os especialistas observam é que o coração humano continua funcionando da mesma forma de sempre. O que mudou foi o estilo de vida da sociedade.

Cuidar do coração, portanto, continua sendo baseado em princípios simples, mas fundamentais: alimentação equilibrada, atividade física regular, controle da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, além de atenção ao estresse e à qualidade do sono.

Prevenção ainda é o melhor remédio.

Vou citar 6 sinais silenciosos de alerta para o coração, pois alguns sintomas podem indicar maior risco cardiovascular e merecem avaliação médica:

1. Cansaço excessivo ao realizar atividades simples - Subir escadas ou caminhar pequenas distâncias passa a causar fadiga incomum.

2. Pressão arterial frequentemente elevada - Muitas pessoas descobrem a hipertensão apenas em exames de rotina.

3. Dor ou pressão no peito durante esforço - Mesmo que seja leve ou passageira.

4. Falta de ar sem causa aparente, especialmente

ao deitar ou durante atividade física.

5. Ganho de peso abdominal progressivo, associado à chamada gordura visceral, que aumenta o risco cardíaco.

6. Histórico familiar de infarto precoce, principalmente em parentes próximos antes dos 55 anos.


Uma reflexão final que costumo compartilhar com meus pacientes: O coração raramente adoece de repente. Na maioria das vezes ele vai dando sinais ao longo do caminho. Tenham todos uma boa semana.

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