Moraes nega parte de pedido da defesa para perícia médica de Bolsonaro
O ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou parte do pedido da
defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ampliar o escopo da perícia
médica determinada após sua transferência para a Papudinha, em Brasília. A
decisão é desta segunda-feira, 19.
Moraes indeferiu perguntas apresentadas pelos advogados que, segundo o
ministro, extrapolam o objeto técnico da avaliação médica e exigiriam análise
jurídica ou subjetiva, o que não cabe à junta pericial. Foram barrados quesitos
que buscavam, por exemplo, avaliar se o cumprimento da pena em ambiente
prisional seria incompatível com o estado de saúde do ex-presidente ou se a
prisão domiciliar seria a melhor alternativa para garantir seus direitos
fundamentais.
"A legislação processual penal faculta ao juiz indeferir a produção de
provas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias", afirmou Moraes, ao
sustentar que parte das perguntas formuladas pela defesa não se restringia à
análise clínica, mas avançava sobre conclusões legais.
A perícia foi determinada depois que o ex-presidente deixou a Sala de
Estado-Maior da Polícia Federal (PF) e passou a cumprir pena no 19.º Batalhão
da Polícia Militar, na Papudinha. A junta médica oficial é composta por
profissionais da PF e deverá avaliar o quadro clínico de Bolsonaro, suas
necessidades de saúde durante o cumprimento da pena e eventual indicação de
transferência para hospital penitenciário.
O ministro manteve válidos os quesitos estritamente médicos e homologou o
médico Cláudio Birolini indicado pela defesa como assistente técnico, mas
deixou claro que a avaliação deve se limitar a aspectos objetivos da saúde do
apenado, sem discutir alternativas de regime ou consequências jurídicas do
encarceramento.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou não ter quesitos adicionais e
pediu vista dos autos após a apresentação do laudo pericial. A decisão foi
comunicada à Polícia Federal para cumprimento imediato.
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