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Exposição recria o ambiente de casa ícone de São Paulo para celebrar o design modernista dos anos 1950

No dia 31 de agosto (domingo), a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano inaugura, a partir das 14h, a exposição "Um design brasileiro nos anos 1950: linhas de uma casa modernista". Com curadoria de Celso Lima, a mostra busca recriar o ambiente modernista da residência de Maria Luisa e Oscar Americano e sua família, destacando um aspecto ainda pouco valorizado pela historiografia do design: o têxtil.

 

A curadoria de Celso Lima propõe revisitar um recorte da arquitetura e do design modernistas brasileiros, tendo como eixo central a residência projetada por Oswaldo Bratke. O conjunto arquitetônico se completa com o paisagismo de Otávio Augusto Teixeira Mendes e com as obras distribuídas pelo parque — como o mural de Karl Plattner, as esculturas de Karoly Pichler e Emanuel Manasse, e os pisos em mosaico em pedras portuguesas de Livio Abramo —, todos harmoniosamente integrados ao verde da Mata Atlântica que envolve o espaço.


Para essa reconstrução, a mostra apresenta o projeto de design de interiores concebido pelo estúdio/loja Branco&Preto, fundado em 1952 por um coletivo de seis jovens arquitetos: Carlos Millan, Roberto Aflalo, Miguel Forte, Jacob Ruchti, Plinio Croce e Chen Y Hwa.

Para além do projeto da casa, a exposição homenageia designers importantes. "Nosso desejo foi comentar o projeto arquitetônico de Oswaldo Bratke, mas com protagonismo das propostas realizadas nos interiores da casa pelo coletivo Branco&Preto, que criou mobiliários e ambientação, assim como os tecidos utilizados nas forrações das peças, cortinas e acessórios, como almofadas e colchas", explica o curador da mostra, Celso Lima.

 

A colaboração desses profissionais no projeto da casa da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano exemplifica de forma marcante os caminhos que o modernismo imprimiu à arquitetura e ao design brasileiros no pós-guerra. As influências construtivistas europeias, ao chegarem ao país, foram reinterpretadas e adaptadas, ganhando variações moldadas por regionalidades e contextos tipicamente brasileiros.

 

"As diferenças são facilmente percebidas na ambientação criada pelo Branco&Preto, que privilegia espaços arejados, adequados às características climáticas e culturais do Brasil. Também se destacam os materiais utilizados, como as madeiras brasileiras no mobiliário, e as temáticas desenvolvidas pelos designers em padrões têxteis de linguagem xilográfica, que evocam nossa flora, culinária, dança e aspectos geográficos. Esses elementos dialogam com os geométricos listrados, compondo o cenário de uma casa moderna para uma família da elite paulistana nos anos 1950", comenta Lima.

 

O que o público irá encontrar na mostra

Telas de Portinari e Di Cavalcanti, pertencentes ao acervo da família, compõem a parede dedicada à representação da pintura modernista do período. Ao lado delas, o biombo criado pela designer têxtil e tecelã Regina Gomide Graz, cedido pela Coleção Yvani e Jorge Yunes, evidencia as origens e os caminhos da arte e do design no Brasil entre as décadas de 1930 e 1950. Esses elementos funcionam como condutores temporais no projeto expográfico concebido pelo arquiteto Marco Antônio Sousa Silva.


Estarão em exibição duas poltronas M1, parte do mobiliário original da casa, criado em 1955 pela Branco&Preto. Ícones do design da década, essas poltronas foram especialmente recriadas para a exposição pela Etel Design, a partir do projeto original. Um mostruário de cores em sedas complementa a ambientação, resgatando o repertório cromático do grupo.


Irene Ruchti, parceira e esposa de um dos arquitetos do Branco&Preto e ex-aluna do Instituto de Arte Contemporânea do MASP (IAC/MASP), atuou como paisagista e designer têxtil. A mostra resgata parte das padronagens que criou para o estúdio, incluindo as icônicas estampas listradas, marca registrada das forrações e acessórios têxteis utilizados nos projetos da loja.

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RELAÇÕES AMOROSAS EM PAUTA

Desenhos e relações compartilhadas, com Celso Lima | 31 de agosto, domingo, das 11h às 13h | Ingressos no Sympla (R$100)

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