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Vernissage marca reabertura do Espaço Cultural Engep

O Espaço Cultural Engep promove nesta quinta-feira (10), uma noite dedicada à história de Limeira. A partir das 19h, será realizada a vernissage da exposição “O Olhar de Hercule Florence”, que marca a reabertura do espaço, instalado no Largo da Boa Morte, 118, no Centro, e integra as comemorações pelos 200 anos do município.

 

Promovida pela Associação Pró-Memória de Limeira, a mostra apresenta registros produzidos por Hercule Florence, artista, inventor e pesquisador francês que viveu no Brasil no século XIX. Seus desenhos e pinturas constituem importantes documentos para compreender a formação urbana e as paisagens do interior paulista, incluindo Limeira e municípios da região.

 

A exposição ganha destaque especial pela presença de um desenho realizado por Florence em 1839, considerado o primeiro registro conhecido da povoação que deu origem a Limeira. Feito a lápis, o trabalho retrata a então Freguezia de Nossa Senhora das Dores de Tatuhiby, surgida em 1826, mostrando a primitiva capela e elementos do projeto urbanístico inicial da povoação.

 

O material apresentado na exposição foi obtido por Paulo Masuti Levy, diretor do Espaço Cultural Engep e sócio-fundador do Grupo Engep, que conseguiu dezenas de cópias de desenhos de Florence pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles. A iniciativa permite que parte desse patrimônio documental seja apresentada ao público durante o bicentenário de Limeira.

 

PRIMEIROS ANOS

 

A relação de Hercule Florence com Limeira e a região ocorreu durante suas viagens pelo interior paulista. A partir da década de 1830, o artista passou a registrar paisagens e localidades por onde circulava. Entre os trajetos estavam os caminhos entre Campinas e Piracicaba, que o levaram ao engenho do Ibicaba, propriedade do senador Vergueiro.

 

Florence retornou diversas vezes à região, com viagens documentadas entre 1839 e 1850. Nesse período, produziu imagens que hoje ajudam a reconstruir visualmente parte da história do interior paulista.

 

Francês radicado no Brasil, Florence chegou ao Rio de Janeiro em 1824 e, no ano seguinte, integrou como desenhista a expedição científica do barão Georg Heinrich von Langsdorff. Posteriormente, estabeleceu-se na Vila de São Carlos, atual Campinas, onde desenvolveu atividades como desenhista, pintor, professor, inventor, litógrafo e fotógrafo.

 

Também realizou experiências pioneiras com processos fotoquímicos de reprodução de imagens. Entre 1832 e 1836, desenvolveu técnicas que chamou de “photographie”, anos antes da consolidação da fotografia como processo público na Europa.

 

Em Campinas, Florence também se dedicou à impressão. Em 1836, adquiriu uma tipografia completa e, a partir de seus experimentos, criou o “Aurora Campineira”, considerado o primeiro jornal da vila.

A trajetória multifacetada do artista é um dos elementos que a exposição pretende apresentar ao público, aproximando a produção de Florence da história de Limeira e da região.

 

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Quase quatro décadas dedicadas à história de Limeira

 

José Eduardo Heflinger Júnior é um dos mais ativos e incansáveis investigadores da história limeirense. São 40 anos de pesquisas dedicadas à reconstrução da trajetória de Limeira, com consultas a arquivos brasileiros e europeus e dezenas de viagens e imersões em acervos particulares, museus e instituições de memória.

 

Ao longo desse trabalho, o pesquisador reuniu documentos, imagens e informações que ajudam a ampliar o conhecimento sobre a formação e o desenvolvimento do município e da região.

 

Durante a exposição “O Olhar de Hercule Florence”, parte de sua produção também estará presente por meio da venda promocional de 15 títulos que ainda restam de sua autoria. Os livros, patrocinados pela Lei Rouanet, serão comercializados por R$ 25, metade do preço de capa, exclusivamente durante a exposição.

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