Impostos e contas de início de ano tornam janeiro o mês mais caro para o consumidor
O calendário de 2026 já começou e, com ele, a tradicional concentração de despesas que costuma pressionar o orçamento das famílias logo nos primeiros meses do ano. Janeiro é conhecido como um dos períodos mais caros para o consumidor, reúne impostos obrigatórios, despesas escolares e reajustes em contas básicas.
Embora o IPTU e o IPVA sejam os vilões mais lembrados, eles representam apenas parte dos compromissos financeiros que surgem nesse período. Material escolar, parcelas do cartão de crédito acumuladas ao longo das festas de fim de ano e contas reajustadas formam um cenário que exige atenção e planejamento. Mais do que “sobreviver a janeiro”, especialistas alertam que o início do ano é um momento estratégico para revisar hábitos de consumo, organizar o orçamento e evitar armadilhas como juros elevados, multas e o uso excessivo do crédito. A antecipação e o controle financeiro são fundamentais para que o ano não comece no vermelho.
Para aprofundar o tema e trazer orientações práticas aos leitores, a Gazeta de Limeira entrevistou Celso F. A. Leite, administrador formado pela EAESP-FGV, com especialização em Marketing e Finanças. Ele também é tradutor juramentado e professor universitário aposentado.
. Quais são as principais despesas que costumam pesar no orçamento das famílias no início do ano e como se preparar para elas com antecedência?
As principais despesas são material escolar, parcelas do cartão de crédito decorrentes das compras de presentes natalinos, passeios de final de ano e impostos como o IPVA, logo em janeiro, e o IPTU, um pouco mais adiante. A preparação deve ser feita ao longo do ano, procurando sempre gastar menos do que se ganha, poupando e reservando uma parte do décimo terceiro salário para essas despesas. É fundamental, durante todo o ano, manter um registro de ganhos (receitas) e gastos (despesas), buscando fazer com que a receita seja maior do que a despesa e, assim, economizar para os custos extras do início do ano.
. Qual é o primeiro passo para quem quer organizar o orçamento familiar visando pagar impostos, mensalidades escolares e outras contas típicas do começo do ano?
O primeiro passo é fazer uma relação de receitas e despesas, uma espécie de livro-caixa na prática, um fluxo de caixa projetado. Pode ser uma folha de caderno dividida ao meio ou uma planilha de Excel: de um lado, as receitas previstas; do outro, as despesas.
Além disso, é importante sempre buscar preços melhores, fazer cotações para o que se pretende comprar, evitar o apelo da propaganda especialmente aquelas mensagens que exploram a vaidade e comparar necessidade versus vontade. Perguntar-se: “Eu realmente preciso disso? ”. Fazer uma análise de valor: será que um produto de R$ 50 não cumpre a mesma função de outro de R$ 90? Questione-se: por que preciso disso? Para que quero isso? Quais benefícios terei?
Diante de um cenário econômico ainda instável, quais cuidados o consumidor deve ter ao parcelar despesas ou recorrer ao crédito no início de 2026?
Jamais pagar o cartão de crédito de forma parcelada e jamais usar cheque especial ou limite bancário. As taxas de juros nessas modalidades são extremamente altas. O ideal é pagar sempre o valor integral da fatura do cartão de crédito.
Quando for necessário parcelar, prefira o crediário oferecido pelos comerciantes. Se for preciso tomar dinheiro emprestado, consulte vários bancos e diferentes modalidades, buscando a menor taxa de juros, parcelas que caibam no orçamento e prazos satisfatórios.
. Como identificar gastos supérfluos e ajustar o padrão de consumo sem comprometer as necessidades básicas da família?
Vale lembrar ditados antigos: “Passarinho não acompanha gavião”. Se um amigo ou parente com renda maior pode comprar roupas de grife ou frequentar restaurantes caros, e você não ganha o mesmo que ele, não copie esse comportamento. Evite o apelo da propaganda voltado à vaidade.
Gisele Bündchen, Scarlett Johansson ou Anya Taylor-Joy não vão ligar para você porque está vestindo uma camiseta de grife — elas sequer sabem da sua existência. Além disso, alguém que se interessa por você apenas pela roupa que veste tende a trazer apenas decepções.
O dinheiro é mágico. Costumo dizer aos meus netos: esta nota é mágica; se você não gastar, sempre terá dinheiro.
. Para quem terminou 2025 endividado, quais estratégias são mais indicadas para reorganizar as finanças e evitar novas dívidas no começo do ano?
Renegociar dívidas em busca de prazos maiores e juros menores, buscar receita adicional como um segundo emprego ou trabalhos extras e cortar gastos, economizando sempre que possível.
. Quais ferramentas ou hábitos financeiros o senhor recomenda para manter o controle do orçamento ao longo de 2026 e evitar apertos financeiros?
Fazer um orçamento. Orçamento tem duas colunas: receitas e despesas. Não há segredo: só sobrevive quem tem mais receita do que despesa. Procure aumentar a receita e diminuir a despesa. Não se deixe levar pela vaidade, pela gula ou pela preguiça. Vale ter em mente os sete pecados capitais e fugir deles.
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