Falta de planejamento tributário pode encarecer produtos, alertam especialistas
Neste mês do Consumidor, empresas brasileiras começam a enfrentar os primeiros efeitos práticos da reforma tributária sobre o consumo. Embora boa parte do debate público ainda esteja concentrada nas mudanças estruturais que ocorrerão ao longo dos próximos anos, reflexos operacionais já começaram a surgir em 2026. Na prática, a reforma deixou de ser apenas uma discussão legislativa e passou a exigir ações concretas das empresas, especialmente em áreas como planejamento tributário, revisão contratual, precificação e previsibilidade de fluxo de caixa.
Estimativas apontam que a carga tributária no novo modelo de tributação do consumo poderá alcançar patamares próximos de 28%. Esse cenário tende a pressionar margens e exigir maior precisão na formação de preços e na estrutura de custos das empresas. Para especialistas, a adaptação ao novo sistema passa por compreender com clareza a composição atual da carga tributária e antecipar possíveis impactos ao longo da cadeia produtiva.
Para a empresária Keila Biazon, o principal erro neste momento é adiar o diagnóstico tributário. Segundo ela, muitas empresas ainda não têm clareza sobre quanto pagam hoje em tributos municipais, estaduais e federais, nem como essa carga está distribuída em suas operações. “Sem essa fotografia, fica mais difícil prever impactos, renegociar contratos com fornecedores, precificar os próprios produtos e se preparar para o novo ambiente tributário”, afirma.
A falta de planejamento, segundo a especialista, acaba atingindo também o consumidor final. Quando empresas deixam de aproveitar créditos tributários ou calculam mal seus custos, parte desse impacto tende a ser repassada aos preços. Por outro lado, negócios que se antecipam podem identificar oportunidades de economia, reduzir riscos e preservar margem. Entre as medidas recomendadas estão a mapear fornecedores que gerarão créditos no novo sistema, revisar contratos de longo prazo com cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro e garantir a correta classificação fiscal de produtos para evitar bloqueio de créditos e penalidades.
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