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Mulheres são maioria na educação paulista e concentram relatos de insegurança nas escolas

No Dia Internacional da Mulher, dados da educação paulista evidenciam uma realidade estrutural: mulheres são maioria nas salas de aula e também ocupam posições de liderança nas escolas do estado. Ao mesmo tempo, concentram os maiores índices de relatos de insegurança no ambiente escolar. Pesquisa realizada pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) mostra que 70,2% dos docentes participantes são mulheres e indica que professoras relatam com mais frequência sensação de insegurança e episódios de agressões, principalmente de natureza verbal e psicológica.

Os dados dialogam com o Painel de Estatísticas do Censo Escolar da Educação Básica, do INEP, que confirma a predominância feminina no setor. Em 2025, São Paulo registra 22.372 diretoras na educação básica. A presença feminina na direção escolar é majoritária em quase todas as redes: municipal (86,5%), privada (89,2%) e estadual (69,7%), enquanto na rede federal o índice é de 30,2%.

A presença feminina também predomina na docência. A série histórica do Censo Escolar mostra crescimento ao longo da última década. O número de professoras na educação básica paulista passou de 365.307 em 2015 para 405.748 em 2025, com pico de 432.353 em 2022, o que reforça o papel central das mulheres no funcionamento do sistema educacional.

Apesar da maioria numérica, o levantamento do CPP indica que mulheres relatam mais situações de desrespeito e conflitos no ambiente escolar. As ocorrências mais citadas envolvem agressões verbais e psicológicas, além de desgaste emocional recorrente. Para Ana Carolina Soares, advogada do CPP, os dados reforçam a necessidade de tratar a segurança da mulher na educação como pauta permanente.

“Quando observamos que a maioria da categoria é feminina e também a que mais relata insegurança, é preciso olhar para o ambiente escolar com responsabilidade. Segurança e respeito não são temas acessórios, são condições básicas para o exercício da docência”, afirma. Segundo ela, a predominância feminina no setor amplia o impacto social de problemas estruturais e reforça a necessidade de políticas de prevenção, mediação de conflitos e fortalecimento institucional nas escolas.


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