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Memória e legado: Um ano da despedida de Papa Francisco

Na manhã de segunda-feira, 21 de abril de 2025, data que sucedeu o Domingo da Ressurreição, entrou para a história da Igreja Católica, o mundo despertou com a notícia da morte do Papa Francisco. O pontífice argentino faleceu na Casa Santa Marta, no Vaticano, após um período de saúde fragilizada que havia mobilizado a atenção de fiéis e lideranças religiosas nos meses anteriores. Sua última aparição pública ocorreu na véspera, no Domingo de Páscoa (20), quando, ainda diante de milhares de pessoas na Praça de São Pedro, concedeu a tradicional bênção “Urbi et Orbi”, em um gesto que simbolizou sua despedida.

Durante 12 anos e 35 dias à frente da Igreja, Francisco consolidou uma atuação marcada pela proximidade com os fiéis e pela ênfase no diálogo internacional. Recebeu chefes de Estado como Barack Obama e Vladimir Putin e conduziu uma agenda diplomática voltada à promoção da paz e de causas sociais. Ao longo do pontificado, visitou 66 países, com destaque para sua primeira missão internacional, a viagem ao Brasil, em julho de 2013, quando participou da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Na ocasião, também esteve no Santuário de Aparecida, gesto que reforçou sua relação com os católicos brasileiros.

Conhecido como “o papa do povo”, Francisco priorizou o contato direto com a população e adotou uma postura pastoral voltada à simplicidade. Foram 47 viagens internacionais e 34 deslocamentos dentro da Itália, números que refletem a intensidade de sua presença fora do Vaticano.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, o advogado Leonardo Spiga Real, postulador de causas de beatificação e mestrando em Direito Canônico, relembrou o encontro que teve com o pontífice em 2019, no Vaticano. “Para quem não sabe, Tambaú é uma cidade muito importante do estado de São Paulo, e aqui tivemos a oportunidade de recepcionar, na década de 1950, o padre Donizete Tavares de Lima, que está em processo de canonização. Dentro desse processo, o padre Donizete teve o reconhecimento oficial da Igreja no ano de 2019, quando foi beatificado. O Papa Francisco reconheceu um milagre atribuído ao padre Donizete e lhe concedeu o título de beato. Na semana seguinte, em 27 de novembro de 2019, eu, ainda presidente da Câmara Municipal, preparei um título de cidadão tambauense”, relatou.

Leonardo destacou que a entrega do título de cidadão ao Papa, na Sala Clementina, representou um marco histórico para o município de Tambaú, para os devotos e também para sua trajetória pessoal. A homenagem ocorreu como forma de agradecimento pelo reconhecimento do milagre atribuído ao religioso. Ao recordar o encontro, Spiga Real descreveu um momento de forte impacto emocional: “Ele apertou bastante a minha mão, olhou profundamente nos meus olhos e disse, em bom português: “Por favor, reze por mim”. Para o advogado, a cena permanece viva na memória e simboliza a humildade e a proximidade que marcaram o pontificado de Francisco.

Um ano após sua morte, o Vaticano promoverá uma missa especial na Basílica de Santa Maria Maior, local onde o pontífice argentino foi sepultado. A missa terá início hoje às 18h (horário de Roma), às 13h no horário de Brasília, com transmissão oficial feita pelo portal Vatican News. A celebração deve reunir fiéis e autoridades religiosas em memória de um líder que deixou como legado a busca por uma Igreja mais próxima das pessoas e comprometida com os desafios do mundo, além do apelo por misericórdia e ternura, com a ideia de que Deus nunca se cansa de perdoar.


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