Depoimentos levam CPI da Robótica a marcar acareação entre servidoras
A CPI que apura
possíveis irregularidades na licitação para compra de kits de robótica para a
rede municipal de ensino de Limeira vai colocar duas servidoras frente a frente
para esclarecer versões conflitantes apresentadas durante depoimentos prestados
nesta sexta-feira (6).
A decisão foi
tomada após divergências nas falas de Amanda Regina Dias e Franciny Almeida,
ouvidas pelos vereadores durante a reunião da comissão. A acareação foi marcada
para o dia 13 de março, às 14h.
Na mesma
reunião, os vereadores também aprovaram requerimentos solicitando o relatório
de viagens do ex-secretário de Educação André Luis de Francesco. Além disso,
foram convocadas as servidoras Micheli Duscove Mantes e Gislaine de Oliveira
Santos para prestar depoimento na mesma data.
Depoimentos
Seis servidores
e ex-servidores foram ouvidos durante a reunião: Amanda Regina Dias, Luis
Antonio Faber, Pollyana Feitosa, Luis Fernando Ferraz, Raquel Patrícia Firmino
Lopes Teixeira e Franciny Almeida.
O primeiro a
depor foi Luis Fernando Ferraz, que na época do processo era diretor do
Departamento de Suprimentos. Ele explicou os procedimentos para abertura de uma
licitação e afirmou que chegou a alertar o então prefeito Mário Botion sobre a
necessidade de interromper temporariamente o processo para uma averiguação.
Segundo ele,
reportagens na imprensa nacional apontavam suspeitas em compras de kits de
robótica feitas por outras cidades. Após isso, o caso foi encaminhado ao
Ministério Público pelo então secretário de Negócios Jurídicos, Daniel de
Campos, que teria indicado não haver irregularidades no processo.
Ferraz também
relatou que o ex-secretário André Luis de Francesco e uma equipe técnica
chegaram a visitar a empresa vencedora da licitação para verificar sua
existência. Questionado sobre o termo de referência — documento que detalha o
que será comprado — afirmou não saber quem foi o responsável por sua
elaboração.
Luis Antonio
Faber, que era diretor administrativo da Secretaria de Fazenda e ordenador de
despesas do processo, afirmou que sua função era apenas verificar a existência
de dotação orçamentária e autorizar o empenho.
Pollyana
Feitosa, assistente de suprimentos, disse que participava da coleta de
orçamentos quando eles não eram enviados pelos setores solicitantes ou estavam
vencidos. No caso da compra dos kits de robótica, segundo ela, os três orçamentos
já haviam sido encaminhados ao departamento.
Raquel Patrícia
Firmino Lopes Teixeira, então chefe da Divisão de Compras, afirmou que a
divisão era responsável por validar os orçamentos quando eles estavam dentro
dos parâmetros exigidos.
Versões divergentes
A principal
divergência ocorreu entre Amanda Regina Dias e Franciny Almeida.
Amanda, que era
chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação, afirmou que Franciny
teria sido responsável por entrar em contato com empresas para obter cotações
para o processo de compra.
Franciny, que
atuava como assessora especial de Gestão Pública do então secretário André Luis
de Francesco, negou essa versão. Segundo ela, sua função era acompanhar
processos administrativos, elaborando despachos e encaminhamentos entre
departamentos, mas não realizar cotações.
Amanda também
relatou que o ex-secretário teria lhe entregue o memorial descritivo do
projeto, a partir do qual ela elaborou a requisição de compra. Disse ainda que
recebeu dele o contato de uma pessoa que indicou e-mails para envio dos pedidos
de orçamento.
Já Franciny
afirmou que o secretário recebeu mais de uma vez o representante da empresa
Life, vencedora da licitação, mas disse não se lembrar exatamente quando essas
reuniões ocorreram.
Investigação
A CPI foi
criada para investigar indícios de irregularidades na licitação e contratação
de kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia para a rede
municipal de ensino.
Entre os pontos
analisados estão suspeitas de sobrepreço, superfaturamento, direcionamento da
licitação e possível inadequação pedagógica do material adquirido. Os
vereadores também buscam identificar responsabilidades administrativas,
políticas e técnicas de agentes públicos e privados envolvidos no processo
licitatório nº 39.101/2022 e no contrato nº 130/2023, além de verificar
possíveis prejuízos aos cofres públicos.
No fim de 2025,
o caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal. O ex-prefeito
Mário Botion, o ex-secretário André Luis de Francesco e outros integrantes da
Secretaria de Educação foram alvos de uma investigação federal relacionada à
compra de equipamentos de robótica para a rede municipal.
CPI
Os membros da
CPI também decidiram prorrogar os trabalhos da investigação por mais 90 dias. O
pedido ainda precisa ser aprovado em plenário.
A comissão é
formada pelos vereadores Mariana Calsa (MDB), presidente; Estevão Nogueira
(Avante), relator; Felipe Penedo (PL), secretário; João Bano (Solidariedade) e
Joyce Dias (PSD), membros. A reunião foi acompanhada por procuradores da Câmara
e representantes jurídicos da Prefeitura.
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