Justiça obriga restituição de R$ 5,2 milhões devido a subsídios irregulares no governo Hadich
A Prefeitura de Limeira e as empresas de transporte coletivo
Rápido Sudeste e Viação Limeirense foram condenadas, de forma solidária, a
devolver R$ 5.282.331,88 aos cofres públicos. A sentença foi assinada na última
semana, pela juíza Graziela da Silva Nery, da Vara da Fazenda Pública do
município. A decisão tem origem em uma ação popular ajuizada em 2013, no início
da gestão do ex-prefeito Paulo Hadich. Em 2023, o Ministério Público assumiu o
polo ativo e defendeu a procedência do pedido.
A ação questionou a Lei Municipal nº 5.136/2013, que
autorizou subsídio ao transporte coletivo de até 15% da tarifa por passageiro.
A apuração indicou que o cálculo dos repasses considerou o número total de
passageiros transportados, com inclusão de gratuidades, e não o número de
passageiros pagantes equivalentes, como exige a legislação.
A perícia apontou que o critério adotado resultou em
pagamentos indevidos às concessionárias. O laudo técnico também identificou
repasses acima do limite legal de 15% em diversos períodos, com excesso de R$
4,7 milhões. Um dos exemplos citados refere-se a junho de 2015, quando o
subsídio foi calculado sobre quantidade superior à permitida, o que gerou
pagamento 37,7% acima do valor devido. O Município reconheceu nos autos que
realizou repasses superiores ao correto.
As empresas contestaram o uso de provas produzidas em outro
processo. Na sentença, a magistrada considerou comprovada a adoção de base de
cálculo incorreta e declarou a nulidade dos atos administrativos de repasse. A
decisão determina a devolução dos valores e estabelece que futuros contratos
adotem o critério de passageiros pagantes equivalentes no cálculo de subsídios.
A Gazeta entrou em contato com a Prefeitura de Limeira. Em
nota, a administração respondeu: “A Prefeitura de Limeira esclarece que se
trata de ação relacionada à gestão de Paulo Hadich, em razão do pagamento de
subsídios acima do devido às empresas de ônibus. Diante disso, o município
avalia acionar o ex-prefeito na Justiça, visando ao ressarcimento do prejuízo
causado aos cofres públicos”.
O caso será encaminhado a órgãos de controle para apuração
de responsabilidades individuais e cabe recurso. A decisão reforça a
necessidade de rigor na aplicação de recursos públicos e pode ter desdobramentos
judiciais e administrativos nos próximos meses.
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