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Café mantém tradição em Limeira e ganha força com produção de qualidade no campo

Celebrado hoje, o Dia Mundial do Café reforça a importância de uma das culturas mais tradicionais do Brasil e que também faz parte da história de Limeira. Embora a produção tenha se diversificado ao longo dos anos, o café segue presente no município, especialmente com foco em qualidade e valor agregado.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, a secretária de Agricultura e Áreas Rurais, Antonieta Polatto, destacou que o grão teve papel fundamental no desenvolvimento da cidade. “Desde o século XIX, Limeira foi um importante polo cafeeiro, contribuindo diretamente para o crescimento econômico e social, inclusive com a chegada de imigrantes europeus”, afirmou.

Segundo ela, atualmente o café ainda tem relevância, principalmente no segmento de cafés especiais. A pasta também mantém ações voltadas ao fortalecimento da atividade, como assistência técnica, capacitação de produtores, incentivo à diversificação e apoio ao acesso a mercados.

Entre os desafios enfrentados pelos cafeicultores estão a oscilação de preços, os custos de produção e as mudanças climáticas. Para enfrentar esse cenário, a Secretaria aposta em estratégias como incentivo à irrigação, melhoria da produtividade e estímulo à produção de cafés de maior valor agregado.

Também em entrevista à Gazeta de Limeira, o produtor Daniel Mayer, filho de Davi Mayer, responsável por uma propriedade familiar no bairro dos Pires, afirma que a safra de 2026 apresenta melhora em relação ao ano passado, principalmente devido às condições climáticas.

“Com a volta das chuvas, o café conseguiu se desenvolver melhor. A gente já percebe grãos maiores e com qualidade superior”, explicou.

Ele lembra que a estiagem dos últimos anos prejudicou bastante a produção, afetando inclusive o aspecto das lavouras. “No ano passado, nessa época, os pés já estavam mais amarelados. Agora estão mais verdes e saudáveis”, disse.

Mesmo sem a certeza de aumento no volume total colhido, a expectativa é de um produto final melhor, o que pode impactar positivamente na comercialização. A propriedade trabalha com todo o ciclo do café, desde a colheita até a torra e venda.

A produção também carrega um valor histórico para a família. O cultivo foi retomado há cerca de cinco a seis anos por Davi Mayer, resgatando uma tradição antiga da região.

A engenheira agrônoma Thais Denardi Gonçalves, que também falou à Gazeta de Limeira, reforça que a região de Limeira tem histórico relevante na cafeicultura, com fazendas que já foram grandes produtoras. Segundo ela, o avanço da tecnologia no campo tem sido determinante para uma possível retomada da atividade.

“Hoje, o agro conta com capacidade técnica, variedades e manejos adaptados que favorecem o cultivo na região. Por isso, o cenário é positivo para a cafeicultura em Limeira”, afirmou.

A especialista também ressalta que o futuro da cultura depende de fatores de mercado, já que o café é uma commodity, mas destaca o papel essencial da tecnologia diante das mudanças climáticas.

“Nunca foi tão importante aliar tecnologia aos tratos culturais, principalmente para enfrentar períodos de seca prolongada ou chuvas concentradas”, explicou.

Entre as soluções atuais, Thais destaca o uso de bioinsumos como um grande aliado na produção. Eles podem auxiliar no controle de pragas e doenças, melhorar o metabolismo das plantas, contribuir para a sanidade e frutificação, além de fortalecer a microbiota do solo, trazendo benefícios nutricionais e hormonais para o desenvolvimento das raízes e da planta como um todo.

Assim, entre desafios e retomadas, o café segue vivo em Limeira, unindo história, inovação e novas oportunidades para produtores locais.

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