O sentido da Páscoa e a vivência da fé no cotidiano
Com a chegada
do Domingo de Páscoa, a Gazeta de Limeira ouviu lideranças religiosas do
município para refletir sobre o verdadeiro significado da data. Em meio às
tradições e ao apelo comercial, padres e pastores reforçam que a essência da
celebração está na fé, na esperança e na renovação da vida. O padre Diego
Miquelotto, da Paróquia Menino Jesus, e o pastor Natanel da Silva, da Igreja
Evangélica da Confissão Luterana de Limeira, destacam diferentes dimensões do
mistério pascal, convergindo na mensagem central de esperança e amor ao
próximo.
Para o padre
Diego, o Domingo de Páscoa representa o coração da fé cristã. “É o núcleo do
mistério pascal. Celebramos que Jesus Cristo, morto e sepultado, ressuscitou
verdadeiramente, inaugurando uma nova criação”, explica. Segundo ele, a
ressurreição não é apenas o retorno à vida, mas a passagem para uma existência
nova, definitiva e glorificada. “Em Cristo, Deus manifesta que o pecado foi
vencido, a morte foi derrotada e a graça se tornou superabundante. É o ‘sim’
definitivo de Deus à humanidade.”
Ele também
ressalta que viver a Páscoa vai além de um único dia. “Somos chamados a viver
essa ressurreição de forma concreta: morrer para o pecado, viver para a graça,
transformar nossas relações pelo perdão e fazer da vida um testemunho do amor
de Cristo”, afirma.
No calendário
litúrgico, a data ocupa lugar central. “É a solenidade das solenidades. Todo o
mistério de Cristo converge para ela e dela emana. Sem a ressurreição, a fé
cristã perderia seu fundamento”, destaca o sacerdote, ao lembrar a importância
do Tríduo Pascal.
Diante do apelo
comercial, padre Diego propõe equilíbrio. “Não se trata de condenar o comércio,
mas de recordar que ele não é o essencial. A verdadeira alegria pascal não é
consumida, mas celebrada: nasce do encontro com o Ressuscitado”, pontua.
A mensagem
também se estende àqueles que estão afastados da fé. “A Páscoa é tempo de
reconciliação. Cristo continua a ir ao encontro de cada pessoa, oferecendo paz
e restaurando a comunhão. Há sempre um caminho de volta”, afirma.
Já o pastor
Natanel da Silva traz uma reflexão centrada na cruz e no sentido do sofrimento
à luz da ressurreição. Citando o Evangelho de João — “Jesus, carregando ele
mesmo a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico” (Jo
19,17) — ele recorda que a morte de Cristo também é entendida como um ato de
obediência. “Na carta aos Filipenses (2,8), lemos que Jesus se humilhou,
tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. À primeira vista, a crucificação
pode parecer mais injustiça do que sujeição, mas é justamente a ressurreição
que dá sentido a esse sacrifício”, explica.
Segundo o
pastor, Cristo desce até o mais profundo do sofrimento humano. “Ele se coloca
ao lado daqueles que sofrem, dos desprezados, marginalizados e sem amor. Esse é
o maior cuidado de Deus para com cada ser humano. Ele compreende cada situação,
momento ou aflição”, afirma, lembrando ainda a promessa bíblica: “Eis que estou
convosco todos os dias até a consumação do mundo” (Mt 28,20).
O pastor
conclui com uma mensagem de acolhimento e fraternidade: “Que neste domingo
nossos corações e mentes se aqueçam para o cuidado que o bondoso Deus tem para
com cada um de nós. E que esse mesmo amor vibre em direção ao nosso próximo.
Feliz Páscoa.”
Em sintonia,
padre Diego também reforça o papel da comunidade e da família como espaços de
vivência da fé. “A família é a igreja doméstica, onde a fé é vivida e
transmitida. Já a comunidade é o espaço de celebração e testemunho. A Páscoa
nos lembra que somos um só corpo em Cristo”, diz.
Para viver
melhor esse tempo, ele sugere práticas simples: participação na Eucaristia, oração,
caridade e meditação dos relatos da ressurreição. “São atitudes que, quando
vividas com autenticidade, transformam profundamente a vida.”
Ao final, fica
a mensagem comum entre as lideranças: a Páscoa é mais do que uma data — é um
convite à transformação interior, à esperança renovada e ao amor que se traduz
em gestos concretos no dia a dia. “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente
ressuscitou! Aleluia!”, conclui o padre Diego.
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