Dia da Indústria: experiência de 35 anos revela evolução do setor e desafios para o futuro
No Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, a Gazeta de Limeira conversou com o engenheiro de produção Marcelo Aparecido Peixoto dos Santos Rosário, profissional com 35 anos de experiência no setor metalúrgico, que acompanhou de perto as profundas transformações da indústria brasileira nas últimas décadas. Ao longo da carreira, Marcelo atuou em diferentes áreas do segmento, com destaque para gestão de produção, qualidade, melhoria contínua e liderança de equipes.
Grande parte de sua trajetória profissional foi construída na então Freios Varga, empresa que posteriormente passou a integrar a TRW Automotive e, mais tarde, a ZF Friedrichshafen AG, onde permaneceu por mais de 30 anos e acompanhou de perto importantes mudanças tecnológicas e estruturais do setor. Também acumulou experiências na Fundituba, onde atuou por dois anos, e na FRUM, empresa em que trabalhou por outros dois anos, ampliando sua vivência em diferentes ambientes industriais.
Segundo ele, a principal mudança observada desde o início de sua trajetória foi a transição de uma indústria fortemente baseada no trabalho operacional e na experiência prática para um modelo cada vez mais orientado por tecnologia, dados e gestão de processos. “Quando comecei, muitas decisões eram tomadas pela experiência dos profissionais mais antigos e grande parte do controle era feito manualmente. Hoje, a indústria é muito mais estratégica e integrada”, destacou.
Marcelo também ressaltou que a automação revolucionou o ambiente fabril. Ferramentas como máquinas CNC, sistemas ERP, manutenção preditiva e metodologias como Lean Manufacturing elevaram os níveis de produtividade e eficiência, mas também exigiram uma mudança no perfil dos trabalhadores. “Hoje, o profissional precisa ser mais analítico, saber interpretar dados, operar sistemas e trabalhar em equipes multidisciplinares”, afirmou.
Outro ponto destacado por ele foi a evolução da cultura de segurança dentro das empresas. De acordo com Marcelo, temas como prevenção de acidentes, ergonomia e bem-estar do trabalhador ganharam espaço e passaram a ser prioridades no ambiente industrial moderno.
Ao analisar as novas gerações, o engenheiro acredita que os jovens chegam ao mercado mais preparados tecnicamente, principalmente pelo contato precoce com ferramentas digitais e novas tecnologias. No entanto, observa que a vivência prática e a experiência do chamado “chão de fábrica” continuam sendo diferenciais importantes para a formação profissional.
Olhando para o futuro, Marcelo projeta uma indústria ainda mais automatizada, conectada e impulsionada por recursos como inteligência artificial e robótica. Apesar dos avanços tecnológicos, ele reforça que o fator humano seguirá sendo essencial. “A maior lição desses 35 anos é que tecnologia é importante, mas são as pessoas que fazem a diferença. As empresas que realmente crescem são aquelas que investem em desenvolvimento humano e valorizam quem está no chão de fábrica”, concluiu.
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