Foto de capa da notícia

Aos 70 anos, Artur volta à sala de aula e assume missão de orientar terceira idade

A busca pelo conhecimento nunca teve prazo de validade para o advogado e professor Artur Colella, morador de Limeira. Depois de 25 anos dedicados ao ensino superior, com milhares de estudantes formados, ele voltou à universidade em um papel diferente: o de aluno. Ao lado da esposa, Virgínia, participou de cursos voltados à terceira idade na Unicamp e redescobriu o prazer de aprender. A experiência, que começou como um desafio pessoal, transformou-se em uma missão: incentivar outros idosos a manterem a mente ativa e mostrar que o aprendizado continua como instrumento de autonomia e qualidade de vida em qualquer fase da existência.

Colella construiu uma longa trajetória na educação. Advogado, professor, com diversas especializações e ex-coordenador do Núcleo Jurídico do ISCA Faculdades, estima ter contribuído para a formação de cerca de cinco mil alunos ao longo da carreira. Acostumado a ensinar, voltou a ocupar uma carteira universitária, participou novamente de aulas, debates e atividades acadêmicas.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, ele define a experiência como transformadora. “Foi excelente. Fizemos novas amizades, voltamos ao ambiente universitário e percebemos que aprender continua importante em qualquer fase da vida”, afirma. A volta à condição de estudante rendeu até uma nova carteirinha universitária, motivo de orgulho compartilhado com o neto Benjamin, de 10 anos.

A experiência despertou também um novo olhar sobre a realidade da população idosa. Durante os cursos, Colella percebeu que muitos participantes desconheciam direitos garantidos pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Pessoa Idosa. A constatação motivou a criação de um curso específico sobre direitos, garantias e proteção da pessoa idosa, proposta apresentada por ele à Unicamp e aprovada pela universidade.

Desde o segundo semestre de 2024, a iniciativa reúne alunos interessados em temas como acesso à saúde, proteção patrimonial, relações familiares, benefícios sociais e políticas públicas voltadas ao envelhecimento. Para Colella, o maior obstáculo não está na falta de leis, mas na falta de informação. “Muitas pessoas não sabem quais são seus direitos e acabam deixando de acessar serviços e benefícios importantes simplesmente por desconhecimento”, ressalta.

Amor que atravessa gerações

Se a educação marcou sua vida profissional, a família ocupa o espaço mais importante de sua história. Pai de três filhas, Colella encontrou na chegada do neto Benjamin a oportunidade de reviver momentos que marcaram sua trajetória como pai.

Os domingos são reservados para um programa que virou tradição entre avô e neto: ir à praça para trocar figurinhas. Viagens, passeios, conversas e momentos em família completam a rotina dos dois. “O relacionamento de um avô com o neto não tem dinheiro que pague. A criança cresce muito rápido e esse tempo não volta mais. Daqui a pouco faz 18 anos, segue seu caminho e tudo muda, como aconteceu com as minhas meninas”, conta.

Para ele, o maior legado que um avô pode deixar não está apenas nas lembranças, mas no exemplo. Ao voltar aos estudos, Colella acredita mostrar ao neto que nunca é tarde para aprender e que o conhecimento acompanha a pessoa durante toda a vida.

Neste Dia dos Avós, ele também deixa uma reflexão para quem acredita que estudar é privilégio da juventude. Em um mundo cada vez mais digital, manter a mente ativa tornou-se uma necessidade para preservar a autonomia e acompanhar as transformações da sociedade. “O cérebro precisa ser exercitado. Hoje tudo passa pelo celular, pelos serviços digitais e pela tecnologia. Quem deixa de aprender encontra mais dificuldades no dia a dia.”

Colella incentiva pessoas com 50, 60 anos ou mais a buscar cursos oferecidos por universidades, prefeituras e instituições de ensino. Para ele, voltar à sala de aula representa muito mais do que adquirir conhecimento. É uma oportunidade de fazer novas amizades, fortalecer a autoestima, ampliar horizontes e envelhecer de forma ativa.

A trajetória do advogado e professor de Limeira mostra que o papel dos avós também passa pelo exemplo. Ao retornar à universidade, Artur Colella demonstra que o aprendizado não termina com a aposentadoria. Pelo contrário, pode abrir novos caminhos, fortalecer vínculos familiares e inspirar filhos, netos e outras pessoas a descobrir que nunca é tarde para aprender.


Comentários

Compartilhe esta notícia

Faça login para participar dos comentários

Fazer Login