Mercado paralelo coloca em risco usuários de tirzepatida, alerta cardiologista
O aumento da
procura pela tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, revolucionou
o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, a popularização
da medicação fez crescer a oferta de produtos vendidos no mercado paralelo e os
casos de automedicação, situações que podem colocar a saúde dos pacientes em
risco.
Em entrevista à
Gazeta de Limeira, o cardiologista Dr. Frederico Menezes, da Alma Clinic,
alertou que o medicamento deve ser utilizado apenas com prescrição e
acompanhamento médico.
Segundo o
especialista, a tirzepatida é uma evolução da semaglutida por atuar em dois
receptores hormonais, potencializando o emagrecimento. “A medicação pode
proporcionar perda superior a 20% do peso corporal e, quando associada à
alimentação equilibrada e à atividade física, esse índice pode ultrapassar os
30%”, explica.
Comércio paralelo preocupa
O médico afirma
que a maior preocupação atualmente é o crescimento da comercialização irregular
das chamadas “canetas emagrecedoras”.
“Existe muita
falsificação e muito comércio paralelo da tirzepatida. Quem compra fora da
farmácia ou de uma clínica autorizada corre o risco de adquirir um produto sem
procedência, podendo acarretar riscos à saúde”, alerta.
Ele explica que
muitas canetas entram no país de forma irregular e sem o armazenamento
adequado. Como a tirzepatida precisa permanecer entre 2°C e 8°C, qualquer
alteração na temperatura pode comprometer a molécula e reduzir sua eficácia e
segurança.
Em Limeira, na
última semana a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra
pessoas que comercializavam os medicamentos de maneira irregular e apreendeu
diversos produtos.
Acompanhamento é indispensável
Dr. Frederico
destaca que não existe uma dose padrão para todos os pacientes. O tratamento é
individualizado e depende das características metabólicas de cada pessoa.
“O objetivo não
é apenas perder peso, mas perder gordura preservando a massa muscular. Sem
acompanhamento médico, o paciente pode desenvolver alterações metabólicas,
perder massa muscular e aumentar o risco de recuperar o peso futuramente”.
Segundo ele,
mulheres na menopausa, pessoas com resistência à insulina, lipedema e outras
condições podem responder de maneira diferente ao tratamento. Além disso, a
tirzepatida possui contraindicações para pacientes com histórico de
pancreatite, carcinoma medular de tireoide e determinadas doenças
gastrointestinais, reforçando a necessidade de avaliação médica.
Efeito platô
Outro ponto destacado pelo especialista é o chamado efeito platô, quando o
paciente interrompe a perda de peso mesmo mantendo o tratamento. Segundo Dr.
Frederico, essa situação é comum e não significa, necessariamente, que a
medicação deixou de fazer efeito. “Existem diferentes tipos de platô, tanto
fisiológicos quanto metabólicos. Hoje já conhecemos sete tipos, e cada um exige
uma estratégia específica para que o paciente volte a emagrecer”, explica.
Segundo ele, identificar a causa do platô é fundamental para definir a melhor
conduta e evitar a interrupção precoce do tratamento.
Uso em crianças
Dr. Fred também
comentou sobre a obesidade infantil. Segundo ele, a tirzepatida já foi
autorizada para alguns casos de crianças obesas com diabetes e também pode ser
prescrita de forma off-label, mediante avaliação médica individualizada, para
pacientes acima de 10 anos.
“É uma
ferramenta importante dentro de um tratamento completo. Quanto mais cedo
conseguimos controlar a obesidade, menores serão os impactos na saúde e na
qualidade de vida dessas crianças no futuro.”
Um ano da Alma Clinic
A entrevista
também marcou o primeiro aniversário da Alma Clinic, que completa um ano de
atividades amanhã. Segundo o Dr. Frederico Menezes, a clínica nasceu com foco
na prevenção de doenças, longevidade e atendimento integral aos pacientes. Como
parte das comemorações, será inaugurado o AlmaFit, estúdio médico de atividade
física voltado ao acompanhamento dos pacientes em programas de emagrecimento.
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