Nova resolução do Cremesp reforça cuidados em cirurgias plásticas combinadas
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) publicou uma nova resolução com diretrizes para o planejamento de cirurgias plásticas eletivas extensas, múltiplas ou combinadas. A norma orienta que procedimentos planejados para durar seis horas ou mais em um único ato cirúrgico não sejam realizados, salvo quando houver justificativa técnica registrada em prontuário.
A medida chega em um momento de forte crescimento da cirurgia plástica no Brasil. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o país realizou cerca de 3,1 milhões de procedimentos estéticos em 2024, sendo aproximadamente 2,3 milhões de cirurgias plásticas, ultrapassando os Estados Unidos em número de intervenções cirúrgicas.
O aumento da procura por procedimentos estéticos, impulsionado por fatores como a influência das redes sociais, a perda significativa de peso associada ao uso de medicamentos para obesidade e a maior oferta de cirurgias combinadas, ampliou o debate sobre os limites e a segurança dos pacientes.
A nova resolução do Cremesp reforça uma preocupação que já vinha sendo discutida pelo Conselho: quanto maior o tempo cirúrgico e maior a associação de procedimentos realizados em uma mesma operação, maior pode ser o impacto fisiológico no organismo, elevando riscos anestésicos, tromboembólicos, infecciosos e de complicações no período pós-operatório.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre a nova regra, o cirurgião plástico Fernando Pucci, que atua há quase 30 anos em Limeira, explica os impactos da resolução e reforça que a segurança do paciente deve ser prioridade em qualquer procedimento.
O que muda na prática com a nova resolução do Cremesp?
A principal mudança está na orientação para que cirurgias plásticas múltiplas ou combinadas, planejadas para durar seis horas ou mais, sejam evitadas, exceto quando houver uma justificativa técnica devidamente registrada. A resolução reforça a importância de um planejamento cuidadoso e individualizado para cada paciente.
A resolução proíbe cirurgias com duração superior a seis horas?
Não. A norma não estabelece uma proibição absoluta. Ela trata do planejamento pré-operatório. Caso aconteça uma intercorrência durante a cirurgia e o procedimento ultrapasse esse tempo, o médico poderá justificar tecnicamente a situação no prontuário.
O que são cirurgias plásticas combinadas?
São procedimentos em que mais de uma cirurgia é realizada no mesmo ato operatório. Um exemplo conhecido é o chamado "Mommy Makeover", que pode envolver procedimentos como abdominoplastia, lipoaspiração e cirurgia das mamas após a gestação.
Esse tipo de cirurgia continuará sendo realizado?
Sim. A decisão depende da avaliação médica de cada caso. Não existe uma fórmula única. O cirurgião deve considerar as condições clínicas do paciente, o porte dos procedimentos, o tempo cirúrgico e a capacidade de recuperação do organismo.
Por que cirurgias muito longas podem representar mais riscos?
Quanto maior o tempo de cirurgia, maior pode ser a possibilidade de algumas complicações, como problemas relacionados à anestesia, tromboembolismo, alterações hemodinâmicas e resposta inflamatória do organismo.
Muitos pacientes procuram fazer vários procedimentos de uma só vez por praticidade. Essa é uma decisão segura?
A vontade do paciente deve ser considerada, mas a decisão precisa ser baseada em critérios médicos. A responsabilidade técnica do cirurgião é avaliar o que é mais seguro e, quando necessário, indicar que os procedimentos sejam realizados em etapas.
Essa preocupação com o tempo cirúrgico já fazia parte da rotina dos especialistas?
Sim. Profissionais comprometidos com a segurança do paciente já realizam uma avaliação individualizada antes de indicar qualquer procedimento. A cirurgia plástica não segue uma receita única, pois cada paciente apresenta características e necessidades diferentes.
A nova resolução também envolve hospitais e clínicas?
Sim. A norma reforça que hospitais e clínicas devem oferecer estrutura adequada, protocolos de segurança e suporte compatível com a complexidade dos procedimentos realizados.
Qual é a principal orientação para quem pretende realizar uma cirurgia plástica?
O paciente deve buscar um profissional habilitado, passar por uma avaliação completa e entender que a segurança deve estar acima do desejo de concentrar vários procedimentos em uma única cirurgia. O melhor planejamento é sempre aquele que respeita os limites e as condições de cada pessoa.
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