Pastor Levy relembra trajetória de fé e sucessão na Assembleia de Deus em Limeira
Há pouco mais de duas décadas, o pastor Levy Ferreira de Souza assumiu a presidência da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém em Limeira, sucedendo o pai, o pastor Joel Amâncio, uma das principais lideranças da denominação no município. Desde então, acompanhou a expansão da igreja, o fortalecimento do trabalho missionário e deu continuidade ao legado construído ao longo de quase quatro décadas. Em entrevista à Gazeta de Limeira, Levy relembrou sua trajetória, desde a adolescência no Mato Grosso até a chegada ao interior paulista, falou dos desafios do ministério e recordou os ensinamentos deixados pelo pai, falecido em 2025.
Natural de Jaciara (MT), Levy deixou a casa dos pais aos 14 anos para buscar oportunidades em São Paulo. Emancipado judicialmente, mudou-se sozinho para Jundiaí, onde conciliou trabalho e estudos. Na época, atuava na construção civil e era responsável pelo próprio sustento, experiência que, segundo ele, contribuiu para sua formação pessoal.
Foi em Jundiaí que iniciou uma participação mais ativa na igreja. Músico desde jovem, integrou a banda, participou do coral e, posteriormente, assumiu a liderança dos grupos de jovens. Com o passar dos anos, recebeu novas responsabilidades ministeriais, embora não planejasse se tornar pastor. “Meu desejo não era ser pastor. Eu trabalhava, tinha empresas de material de construção e da área da construção civil. Sempre conciliei a vida profissional com o trabalho na igreja”, contou.
Aos 20 anos, casou-se com a pastora Tânia Maria, com quem completará 50 anos de matrimônio em 2027. Paralelamente ao ministério, construiu uma carreira como empresário, formou-se em Direito e exerceu a advocacia por cerca de 15 anos em Jaboticabal, além de atuar em Limeira. Atualmente, permanece ligado à área jurídica ao lado de familiares. Tânia lidera o Círculo de Oração da Assembleia de Deus Ministério do Belém em Limeira, movimento que reúne mais de duas mil mulheres.
Mesmo conciliando a vida profissional com as atividades religiosas, Levy assumiu a direção de congregações e foi nomeado pastor-presidente em diferentes cidades. Seu ministério passou por Jundiaí, Várzea Paulista, Vinhedo e Jaboticabal, onde permaneceu durante 15 anos.
A mudança para Limeira ocorreu em razão da saúde do pai. Joel Amâncio enfrentava uma enfermidade e pediu que o filho assumisse a liderança da igreja. A sucessão foi aprovada pelo Ministério do Belém, em São Paulo, permitindo o retorno de Levy ao município. “Meu pai estava debilitado. Achei que permaneceria conosco por mais uns cinco anos, mas Deus permitiu que convivêssemos por quase 20 anos em Limeira. Foi um privilégio servir ao lado dele durante todo esse tempo”, afirmou.
Ao assumir a presidência da Assembleia de Deus, Ministério do Belém em Limeira, Levy encontrou uma igreja estruturada, resultado do trabalho desenvolvido por Joel Amâncio desde sua chegada ao município, em 1984. Para ele, essa base foi fundamental para dar continuidade ao crescimento da instituição. “O legado que recebemos era sólido. Encontramos uma igreja organizada e unida. Isso facilitou o trabalho e permitiu que continuássemos avançando”, destacou.
Segundo o pastor, ao longo de cerca de duas décadas de liderança, a igreja ampliou o número de membros e fortaleceu o trabalho missionário. De acordo com ele, tanto a congregação quanto as missões triplicaram nesse período, resultado da continuidade do projeto iniciado por seu pai e do envolvimento dos fiéis.
Ao recordar a trajetória de Joel Amâncio, Levy afirma que o pai transformou a realidade da Assembleia de Deus em Limeira. Quando chegou à cidade, encontrou um campo considerado pequeno e, ao longo dos anos, tornou-se uma das principais lideranças evangélicas da região. “Meu pai deixou um legado de fé, honestidade, perseverança e compromisso com a obra de Deus. Era um homem íntegro, dedicado à família e que sempre buscou agir com justiça. Esse exemplo marcou nossa família e toda a igreja”, disse.
Além da relação familiar, Levy destaca a amizade construída com o pai. Segundo ele, mesmo durante o período de enfermidade, Joel Amâncio permaneceu como referência espiritual e pessoal. “Nós não éramos apenas pai e filho, éramos grandes amigos. Nos últimos anos, ele costumava dizer que eu era o pastor dele. Sempre interpretei essas palavras como uma demonstração da humildade que marcou toda a vida dele”, relatou.
Com uma vida dedicada ao ministério pastoral, Levy afirma que procura manter os princípios aprendidos desde a infância. Para ele, a missão vai além da administração da igreja e está ligada ao exemplo deixado pelo pai. “Procuro seguir os valores que recebi dele: fé, honestidade, respeito às pessoas e compromisso com Deus. Esse é o maior patrimônio que ele deixou para nossa família e para todos que conviveram com ele”, concluiu.
A origem do nome Ministério do Belém
O nome Ministério do Belém tem origem no bairro do Belenzinho, na zona leste da capital paulista. Em 1927, uma igreja da Assembleia de Deus foi organizada na região e passou a servir de referência para diversas congregações do Estado de São Paulo. Com a expansão da denominação, os campos vinculados à sede ficaram conhecidos como Ministério do Belém, denominação que permanece até hoje e identifica igrejas em diferentes estados brasileiros, incluindo a unidade de Limeira.
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