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Com investimento de R$ 3 mil, marmitas atraem mais de 700 empreendedores em Limeira

O mercado de marmitas reúne 705 empresas em Limeira, segundo levantamento do Sebrae-SP sobre o perfil dos negócios do segmento. Do total, 588 são Microempreendedores Individuais (MEIs), 109 são Microempresas (ME) e oito estão enquadradas como Empresas de Pequeno Porte (EPP). No Estado de São Paulo, são 91.587 MEIs que atuam com marmitas, o equivalente a 76% dos micro e pequenos negócios do setor.

 

A pesquisa “Perfil e desafios dos negócios de marmitas” mostra que o investimento inicial para começar uma atividade nesse segmento gira em torno de R$ 3 mil. A possibilidade de iniciar o negócio com estrutura reduzida, muitas vezes utilizando a própria cozinha e utensílios já disponíveis, ajuda a explicar a entrada de novos empreendedores no mercado.

 

Em Limeira, Sheila Silva decidiu apostar na produção de marmitas e atualmente utiliza aplicativos de entrega para comercializar os produtos. Segundo ela, o início da atividade foi marcado pelo desafio de conquistar os primeiros clientes. “No início é sempre desafiador, as pessoas não te conhecem, mas, mesmo com as redes sociais, o boca a boca ainda funciona e foi assim que, aos poucos, angariei meus clientes”, disse.

 

O perfil identificado pelo Sebrae-SP aponta que a atividade é formada principalmente por mulheres, que representam 71,3% dos MEIs do segmento. Cerca de 60% trabalhavam anteriormente com carteira assinada. Entre as razões para iniciar o negócio estão a busca por autonomia e independência, citada por 25% dos entrevistados; a necessidade de complementar a renda, por 20%; e a intenção de transformar uma habilidade ou ideia em negócio, por 18%.

 

Para Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae-SP, os dados indicam que o empreendedorismo no setor de marmitas tem funcionado, em muitos casos, como uma alternativa de transição profissional. “A barreira de entrada para começar um negócio de marmita é baixa. Muitas pessoas começam na cozinha de casa, com utensílios próprios. Por outro lado, a concorrência é alta e exige a necessidade de ficar atento à gestão do negócio para não ficar no prejuízo”, alerta.

 

FATURAMENTO E PREÇOS

 

O levantamento aponta faturamento médio mensal de R$ 4.191 entre os negócios pesquisados. Entre os MEIs, 36% produzem e vendem entre 151 e 300 marmitas por mês, enquanto 29% comercializam de 51 a 100 unidades.

 

O preço também apresenta uma concentração. Para 65% dos MEIs, as marmitas são vendidas entre R$ 21 e R$ 30. De acordo com Pedro Gonçalves, a faixa intermediária de preços demonstra a necessidade de conciliar os custos de produção com a concorrência e o poder de compra dos consumidores.

 

“Os resultados sugerem um mercado concentrado em preços intermediários, refletindo a necessidade de equilibrar competitividade, custos de produção e poder de compra dos clientes”, comenta o consultor.

 

Entre os principais desafios apontados pelos empreendedores está o controle de custos, citado por 42% dos entrevistados. Na sequência aparecem a concorrência, com 38%, e a logística das entregas, mencionada por 29%.

 

CARDÁPIO E VENDAS

 

As marmitas tradicionais ainda são a principal oferta do segmento, representando 57% dos negócios. Ao mesmo tempo, o mercado apresenta uma variedade crescente de opções para atender diferentes públicos e hábitos alimentares.  Entre as alternativas estão marmitas saudáveis, saladas, congeladas, sopas, vegetarianas, veganas, low carb, sem glúten, sem lactose e sem açúcar.

 

A forma de chegar ao consumidor também mudou com o avanço das ferramentas digitais. O WhatsApp aparece como principal canal de vendas, utilizado por 79% dos empreendedores. As redes sociais são usadas por 59%, enquanto os aplicativos de delivery aparecem em 52% dos negócios.

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