Limeira impulsiona negócio de semijoias para o mundo
Se Limeira tem na joia folheada uma de suas principais
marcas econômicas, histórias de empreendedores ajudam a contar como esse setor
se transformou ao longo das décadas. Foi nesse ambiente que Caio Gazin
encontrou, aos 24 anos, uma oportunidade que mudaria sua trajetória
profissional.
Antes de comandar a Gazin Semijoias, o empresário
trabalhava como mecânico na oficina do pai, em Limeira. A mudança de profissão
começou com o desejo de empreender e ganhou forma em 2013, quando Caio e o
irmão fundaram a empresa em uma sala comercial de apenas 16 metros quadrados,
com investimento inicial de R$ 30 mil. “Eu nunca me esqueço de onde eu vim”,
afirma Caio, ao lembrar do início da trajetória.
A história da empresa está diretamente ligada ao perfil
de Limeira como polo de joias folheadas. A cidade reúne aproximadamente 1.000
empresas ligadas à cadeia produtiva e possui uma trajetória de cerca de seis
décadas no segmento. Em 2018, o município recebeu o título de Capital Nacional
da Joia Folheada.
Foi justamente a movimentação do setor que chamou a
atenção de Caio. Nos primeiros anos do negócio, ele observou que mulheres de
diferentes regiões do país viajavam até Limeira para comprar produtos e montar
seus próprios estoques para revenda.
A percepção ajudou a definir o caminho da Gazin. Em vez
de atuar diretamente no varejo, a empresa passou a concentrar suas operações no
atacado, tendo como principal público as empreendedoras que encontravam na
revenda de semijoias uma oportunidade de negócio.
Os primeiros anos foram de expansão. Em 2015, a empresa
começou a buscar fornecedores na China, com o objetivo de ampliar a variedade
de produtos, melhorar a qualidade e ganhar velocidade na operação.
O crescimento também veio acompanhado de mudanças na
forma de vender. Em 2020, na pandemia, a Gazin lançou seu e-commerce,
aproximando a operação das revendedoras que buscavam praticidade para fazer
seus pedidos.
A observação do comportamento do consumidor passou a
fazer parte da estratégia. A empresa acompanha tendências presentes em novelas,
televisão, redes sociais e outros movimentos culturais para transformar
referências em novos produtos. A fabricação própria também passou a integrar
essa estratégia, permitindo ampliar o portfólio e desenvolver coleções de
acordo com as mudanças do mercado.
A trajetória da Gazin também se confunde com a
transformação do próprio mercado de semijoias. A tradicional compra presencial
na Avenida Costa e Silva passou a dividir espaço com sites, redes sociais e
plataformas de comércio eletrônico.
Para Caio, Limeira teve papel importante nesse processo.
Foi na cidade que ele encontrou fornecedores, consumidores e, principalmente,
um ambiente já estruturado para o segmento.
O empresário também apostou em aproximar a empresa das
revendedoras. Entre as iniciativas está a Loja Móvel, criada para levar a
experiência da marca a diferentes regiões brasileiras.
Mais do que ampliar os canais de venda, a estratégia
consolidou um modelo baseado no empreendedorismo. A Gazin passou a se
apresentar não apenas como uma atacadista de semijoias, mas como parte de uma
cadeia formada por milhares de mulheres que utilizam a revenda como atividade
comercial.
Atualmente, a empresa conta com lojas físicas e showrooms
em diferentes regiões do Brasil, além do atendimento on-line. A rede reúne mais
de 50 mil revendedoras no Brasil e no exterior. Para Caio, parte desse
crescimento está relacionada à capacidade de acompanhar as transformações do
mercado. “A moda é o nosso guia. Somos uma empresa que lança e segue
tendências”, afirma.
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