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“Câncer de mama: diagnóstico precoce aumenta as chances de cura”

O câncer de mama está entre os tipos de câncer mais comuns entre as mulheres e exige atenção à prevenção, aos fatores de risco e ao diagnóstico precoce. Embora a idade e o histórico familiar influenciem as chances de desenvolver a doença, hábitos de vida e acompanhamento médico também fazem parte dos cuidados com a saúde das mamas.

 

Na entrevista, a médica ginecologista e obstetra Dra. Monique Mion Burger, especialista em cirurgia por videohisteroscopia e em aplicação avançada do laser em estética íntima e funcional integrativa, esclarece as principais dúvidas sobre o câncer de mama. Ela aborda os sinais de alerta, a importância da mamografia, a influência da genética e dos hábitos de vida, além dos mitos que ainda cercam a doença.

 

A especialista também explica quando procurar avaliação médica diante de alterações nas mamas e reforça a importância de manter os cuidados durante todo o ano, para além das campanhas do Outubro Rosa.

 

Confira:

 

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, histórico familiar de câncer de mama ou ovário, alterações genéticas hereditárias (como BRCA1 e BRCA2), obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, tabagismo, primeira menstruação precoce, menopausa tardia e não ter engravidado ou ter a primeira gestação após os 30 anos.

 

Existe uma faixa etária em que a mulher deve redobrar a atenção e iniciar o acompanhamento mais regular das mamas?

O risco aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos. No entanto, mulheres de qualquer idade devem estar atentas ao próprio corpo. O acompanhamento regular deve ser individualizado, considerando histórico familiar e fatores de risco.

 

Quais sinais e sintomas devem fazer com que a mulher procure um ginecologista ou mastologista?

Caroços nas mamas ou axilas, alterações no formato ou tamanho da mama, retração da pele ou do mamilo, vermelhidão persistente, secreção pelo mamilo principalmente sanguinolenta e feridas que não cicatrizam merecem avaliação médica.

 

Toda alteração ou caroço na mama significa câncer? Como a mulher deve proceder ao perceber alguma mudança?

Não. A maioria dos nódulos mamários é benigna. Porém, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional para que os exames adequados sejam realizados e o diagnóstico correto seja estabelecido.

 

Qual é a importância da mamografia na detecção precoce do câncer de mama e quando ela é indicada?

A mamografia é o principal exame para detectar lesões antes mesmo de serem palpáveis, aumentando significativamente as chances de cura. Em geral, recomenda-se iniciar aos 40 anos, mas mulheres com alto risco podem precisar começar antes, conforme orientação médica.

 

O autoexame das mamas ainda é recomendado? Qual é a melhor forma de a mulher conhecer e observar as próprias mamas?

Hoje falamos mais em autoconhecimento das mamas do que em autoexame formal. A mulher deve observar regularmente suas mamas durante o banho, ao se vestir ou diante do espelho, percebendo alterações que fogem do habitual.

 

Como histórico familiar de câncer de mama ou de ovário interfere no risco da mulher? Quando é indicado buscar avaliação genética?

Ter parentes de primeiro grau com câncer de mama ou ovário aumenta o risco. A avaliação genética é indicada especialmente quando há múltiplos casos na família, diagnóstico em idade jovem, câncer de mama masculino ou histórico de câncer de ovário.

 

Hábitos de vida, como alimentação, atividade física, consumo de álcool e tabagismo, podem influenciar o risco de câncer de mama?

Sim. Manter peso adequado, praticar atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro e reduzir o consumo de álcool são medidas importantes para diminuir o risco.

 

O uso de anticoncepcionais ou de terapia hormonal pode aumentar o risco de câncer de mama? Como essa decisão deve ser avaliada?

Toda prescrição deve ser individualizada. Alguns estudos mostram um pequeno aumento de risco em determinadas situações, mas é fundamental avaliar benefícios, sintomas, qualidade de vida, histórico familiar e perfil de cada mulher. Não existe uma resposta única para todas.

 

Qual é a relação entre gravidez, amamentação e o risco de desenvolver câncer de mama?

A gravidez e a amamentação tendem a exercer um efeito protetor ao longo da vida. Quanto maior o tempo de amamentação, maior costuma ser esse benefício.

 

Quais são os principais exames utilizados quando uma alteração na mama é identificada?

Os exames mais utilizados são ultrassonografia mamária, mamografia, ressonância magnética em casos específicos e, quando necessário, biópsia para confirmação diagnóstica.

 

Quais são os principais mitos sobre o câncer de mama que ainda chegam aos consultórios e precisam ser esclarecidos?

Se não tenho casos na família, não posso ter câncer de mama; todo caroço é câncer; mamografia causa câncer; quem faz atividade física está totalmente protegida; homens não podem ter câncer de mama. Todos esses são mitos que precisam ser esclarecidos.

 Para finalizar, qual seria a principal orientação para as mulheres neste Outubro Rosa?

A principal mensagem é: não espere sentir algo para se cuidar. O câncer de mama, quando diagnosticado precocemente, tem altas chances de cura. Conheça seu corpo, mantenha seus exames em dia e faça da sua saúde uma prioridade. O autocuidado não deve acontecer apenas em outubro, mas durante todos os meses do ano.

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