Tarcísio veta projeto do cardápio impresso em bares e restaurantes de SP
O governador de
São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetou na sexta-feira (23) o
projeto de lei que tornava obrigatória a disponibilização de cardápios impressos
em bares, restaurantes e casas noturnas do estado. A decisão foi publicada no
Diário Oficial.
Na
justificativa do veto, o governador afirmou que o direito à informação do
consumidor já está assegurado pela legislação federal e estadual em vigor.
Segundo ele, não há garantias de que a exigência do cardápio impresso não
geraria custos adicionais aos estabelecimentos, especialmente considerando
fatores como o porte do negócio, o tipo de material utilizado e a quantidade
necessária de cardápios para atender os clientes.
“O direito de
informação ao consumidor já está adequadamente disciplinado e assegurado. No
caso em análise, não é dado saber se a confecção de cardápios impressos irá
gerar custos passíveis de absorção pelos estabelecimentos”, escreveu Tarcísio
no texto do veto.
O projeto havia
sido aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em dezembro do
ano passado e é de autoria dos deputados Marina Helou (Rede) e Guilherme Cortez
(PSOL). A proposta previa penalidades com base no Código de Defesa do
Consumidor para os estabelecimentos que não cumprissem a determinação.
No texto do
projeto, os parlamentares argumentam que a adoção do cardápio por QR Code se
consolidou durante a pandemia de covid-19 como uma medida sanitária, mas que o
formato deveria ser revisto no período pós-pandêmico. Para os autores, a oferta
exclusiva de cardápios digitais pode excluir e constranger pessoas sem acesso à
internet móvel ou com dificuldades no uso de dispositivos eletrônicos.
Para a
Associação Paladar (Paladar Polo
de Alimentação e Lazer Associativo de Limeira e Região),
representada por Giovana Valente, a obrigatoriedade do cardápio impresso não é
a melhor solução diante da diversidade de modelos de negócio e do avanço
tecnológico no setor. A entidade, no entanto, defende que os estabelecimentos
tenham responsabilidade em oferecer alternativas acessíveis aos clientes.
“Nem todo
consumidor tem facilidade com tecnologia, especialmente pessoas mais velhas, e
isso precisa ser respeitado”, afirma Valente. Segundo ela, há um conflito
geracional evidente entre clientes que demandam orientação e atendimento mais
próximo e uma geração mais jovem, tanto de consumidores quanto de
profissionais, mais habituada às soluções digitais.
A associação
defende a liberdade de escolha dos formatos de cardápio, desde que o cliente
seja atendido de forma digna e inclusiva. Entre as alternativas citadas estão
cardápio físico, tablet, QR Code com auxílio da equipe, cardápio fixado na
parede ou apoio direto dos funcionários.
“Mais do que
impor formatos, o foco deve ser a experiência do cliente, a inclusão e o bom
atendimento”, conclui.
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