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Limeira registra a maior queda de casamentos da região

O número de casamentos em Limeira apresentou a queda mais acentuada entre as principais cidades da região com cerca de 200 mil habitantes ou mais em 2025. Levantamento da Gazeta de Limeira, com base em dados oficiais da Fundação Seade, aponta que o município registrou 1.457 uniões formais no ano passado, contra 1.854 em 2024. A redução de 21,4% chama atenção não apenas pelo percentual expressivo, mas também por colocar a cidade na liderança regional da retração nos registros civis.

O cenário contrasta com o de Americana, única entre as cidades da região a registrar crescimento no número de matrimônios em 2025, com alta de 24,3%. Já os demais municípios acompanharam a tendência de queda. Em Campinas, os casamentos passaram de 6.492 em 2024 para 5.209 em 2025, redução de 19,7%. Em Piracicaba, a retração foi de 11,2%, com 2.053 registros no último ano frente a 2.312 no período anterior. Santa Bárbara d’Oeste também apresentou diminuição significativa, saindo de 1.107 para 870 casamentos, o que representa queda de 21,4%, mesmo percentual observado em Limeira.

Apesar de os números evidenciarem retração regional, o impacto proporcional em Limeira se destaca pelo volume absoluto e pela intensidade da queda. O recuo ocorre em um contexto mais amplo de transformação nos padrões familiares e nas decisões relacionadas à formalização das uniões.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, a socióloga Mariangela Dias explicou que a diminuição no número de casamentos é reflexo de mudanças socioculturais profundas que vêm sendo observadas no Brasil nos últimos anos. Segundo ela, o país apresenta tendência de baixa desde 2016, com recuo de aproximadamente 3% entre 2022 e 2024. “O casamento civil deixou de ser uma prioridade social”, afirmou. De acordo com a especialista, há hoje maior liberdade para uniões informais, além do adiamento da formalização. A média etária para o casamento também mudou: mulheres têm se casado por volta dos 29 anos e homens aos 31, indicando que a decisão ocorre em fases mais tardias da vida.

A socióloga destaca ainda que muitos casais optam por alternativas à união formal, priorizando estabilidade financeira, consolidação profissional e planejamento pessoal antes de oficializar o relacionamento. Esse comportamento, segundo ela, não significa necessariamente menos relações afetivas, mas uma mudança na forma como ela é estruturada e reconhecida legalmente.

Em Limeira, fatores econômicos também podem contribuir para o adiamento da formalização. Custos com cartório, celebração e organização de cerimônias, somados a um cenário econômico que ainda exige cautela, influenciam o planejamento dos casais. Assim, a queda nos registros pode refletir não apenas transformações culturais, mas também decisões práticas diante das condições financeiras.

Os dados de 2025 reforçam uma tendência que já vinha sendo percebida nos últimos anos. Para Limeira, a redução de 21,4% acende um sinal de atenção e evidencia que o casamento civil, antes considerado etapa quase obrigatória na formação da família, tornou-se cada vez mais uma escolha ponderada dentro de um conjunto mais amplo de possibilidades de vida a dois.

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