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Atraso de salários e demissões mobilizam trabalhadores em Cordeirópolis

Funcionários da Cerâmica Fragnani realizaram ontem, uma manifestação em frente à empresa em Cordeirópolis, para cobrar o pagamento dos salários e do vale-alimentação. Segundo os trabalhadores, a produção está paralisada há cerca de 15 dias por falta de gás e de insumos utilizados na fabricação de pisos cerâmicos. Eles também relataram a demissão recente de 77 funcionários, cenário que ampliou a preocupação entre os empregados. O protesto ocorreu após a empresa comunicar que não conseguiria efetuar o pagamento dos vencimentos na data prevista.

Após a manifestação, representantes dos funcionários participaram de uma reunião com integrantes da gerência. Conforme relato dos trabalhadores que estiveram no encontro, a direção informou que busca alternativas financeiras para regularizar a situação e pretende quitar os salários até o dia 13 de julho, com possibilidade de antecipação caso haja disponibilidade de recursos.

Diante das incertezas, parte dos empregados procurou o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cerâmicas, Refratários, Construção, Montagem Industrial, Pavimentação, Obras e do Mobiliário de Limeira e Região (Siticecom). A entidade informou que acompanha o caso por meio de sua assessoria jurídica e presta orientação aos trabalhadores.

Em entrevista à Gazeta de Limeira, o presidente do Siticecom, Ademar Rangel da Silva, explicou que o sindicato foi comunicado logo após a divulgação do aviso da empresa. “O pagamento referente ao mês de junho tinha prazo previsto. A empresa soltou um comunicado dizendo que não teria condições de fazer o pagamento ontem e pediu prazo até o dia 13. Informou que poderia até pagar antes, mas solicitou esse prazo. Os empregados viram o comunicado, se reuniram, comunicaram o sindicato e fui até a empresa para conversar”, afirmou.

Segundo Ademar, o sindicato buscará uma reunião com a direção da empresa para conhecer a situação financeira e definir os próximos encaminhamentos. “Vamos entrar em contato com a empresa para agendar uma reunião, se possível ainda hoje. Se não for possível, vamos marcar o quanto antes para conhecer o posicionamento deles. Se a empresa confirmar que não fará o pagamento antes do dia 13, convocaremos uma assembleia para decidir, em conjunto com os trabalhadores, quais medidas serão adotadas. Entre as possibilidades estão, aguardar o prazo informado ou discutir a rescisão dos contratos”, disse.

Um ex-funcionário, que pediu para não ser identificado, afirmou à Gazeta de Limeira que a situação preocupa os colaboradores, principalmente após anos de dedicação à empresa. “Trabalhei por mais de 27 anos na empresa, passei por diversas áreas com tanta dedicação. Além dos vencimentos, o vale-alimentação também permanece pendente de todos os trabalhadores que ficaram. A própria empresa chegou a falar que faria esse pagamento em 24 parcelas, mas até então nada. Vamos aguardar o prazo que a empresa pediu”, declarou.

A Gazeta também entrou em contato com a empresa, que se manifestou por meio de nota. A Cerâmica Fragnani informou que o atraso no pagamento dos salários e do vale-alimentação ocorre em razão do processo de reorganização financeira conduzido no âmbito da recuperação judicial do Grupo Fragnani. A empresa reconheceu os impactos da situação sobre os colaboradores, afirmou que mantém diálogo com os funcionários e que adota medidas para regularizar os pagamentos no menor prazo possível.

Sobre a produção, a empresa informou que a unidade industrial está temporariamente com as atividades interrompidas para avaliações técnicas e operacionais, como parte da reestruturação da companhia. A previsão é quitar os salários e o vale-alimentação até 13 de julho, com possibilidade de antecipação caso as condições financeiras permitam. A direção afirmou ainda que as medidas têm como objetivo fortalecer a empresa, preservar os empregos e assegurar a continuidade das atividades.

O caso continua sob acompanhamento do sindicato, que aguarda uma definição da empresa sobre o cronograma de pagamento. Caso o compromisso não seja cumprido no prazo informado, os trabalhadores deverão se reunir em assembleia para deliberar sobre as medidas que poderão ser adotadas.

Foto: Martello news 


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