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Psicóloga fala sobre mente saudável e vida equilibrada: Estratégias para o trabalho e o lar

Falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho e no contexto familiar deixou de ser apenas um debate necessário para se tornar uma urgência social. Em um cenário em que os transtornos emocionais estão entre as principais causas de afastamento profissional no mundo, o sofrimento psíquico ultrapassa o indivíduo e impacta famílias, empresas e toda a sociedade. Diante dessa realidade, a Gazeta de Limeira propõe uma reflexão sobre o cuidado com a saúde mental, abordando o tema sob a perspectiva do trabalho e da família, com foco na quebra de tabus e na promoção de ambientes mais saudáveis.

Para aprofundar o tema, o jornal entrevista a psicóloga Jessica Fassis, que atua há oito anos na área da saúde mental. Com experiência no CAPS de Cordeirópolis, a profissional também desenvolve trabalhos na Patrulha Mirim e na Unimed, por meio da Clínica Cuidare. Jessica é pós-graduada em ABA e está em fase de conclusão da pós-graduação em Neuropsicologia.

. Janeiro Branco propõe uma reflexão coletiva sobre a saúde mental. Na prática, quais são os principais sinais de alerta que indicam que uma pessoa deve procurar ajuda psiquiátrica?

Quando o sofrimento começa a interferir na rotina e na qualidade de vida, esse já é um sinal importante de alerta. Alterações persistentes no sono, no apetite e no humor, perda de interesse por atividades que antes faziam sentido, irritabilidade constante, crises de ansiedade frequentes ou pensamentos negativos recorrentes não devem ser normalizados. Muitas pessoas acreditam que só precisam procurar ajuda quando “não aguentam mais”, mas quanto antes o cuidado começa, maiores são as chances de evitar o adoecimento. Buscar um psiquiatra não é sinal de fraqueza, mas um ato de responsabilidade e cuidado consigo mesmo.

. Ainda existe muito preconceito em relação ao cuidado com a saúde mental. Como esse estigma impacta o diagnóstico e o tratamento precoce de transtornos psicológicos?

O estigma faz com que muitas pessoas silenciem a própria dor. Elas sofrem, mas evitam procurar ajuda por medo de julgamentos, rótulos ou por acreditarem que precisam “dar conta sozinhas”. Esse atraso no cuidado faz com que quadros que poderiam ser tratados de forma mais simples se tornem mais complexos. Quando falamos de saúde mental, falar sobre a dor e pedir ajuda são atitudes de coragem. Combater o preconceito é abrir espaço para que o cuidado aconteça antes que o adoecimento se agrave.

. Ansiedade e depressão estão entre os transtornos mais frequentes atualmente. Quais fatores do cotidiano contribuem para esse aumento e como a prevenção pode ser feita no dia a dia?

Vivemos em um ritmo acelerado, com excesso de cobranças, comparações constantes e pouco espaço para pausas. A dificuldade em lidar com frustrações, a sobrecarga emocional, o uso excessivo de telas e a falta de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho contribuem para esse cenário. A prevenção começa nas pequenas atitudes: respeitar limites, manter uma rotina possível, cuidar do sono, do corpo, das relações e, principalmente, da saúde emocional. Falar sobre sentimentos, buscar apoio psicológico e aprender a se escutar são formas concretas de prevenção.

. Qual é o papel das empresas, da família e da sociedade na promoção da saúde mental e na redução dos adoecimentos psicológicos, especialmente após a pandemia?

O cuidado com a saúde mental não é responsabilidade apenas do indivíduo. Empresas que promovem ambientes mais humanos, famílias que acolhem sem julgamento e uma sociedade que escuta mais e cobra menos fazem toda a diferença. Após a pandemia, ficou ainda mais evidente que produtividade sem cuidado gera adoecimento. Promover saúde mental é criar espaços de diálogo e prevenção, entendendo que pessoas emocionalmente saudáveis constroem relações, trabalhos e comunidades mais humanas.

. Para quem começa o ano priorizando metas profissionais e pessoais, que mensagem você deixa sobre a importância de incluir a saúde mental como parte desse planejamento?

Quando falamos em metas, muitas pessoas pensam em cargos, números e conquistas. Mas a reflexão vai além disso. É sobre como se chega até elas. Não adianta alcançar tudo o que foi planejado e, no caminho, perder o sono, a saúde emocional e o prazer de viver. Incluir a saúde mental no planejamento do ano é entender que sucesso também é avançar sem adoecer. Se, ao final do ano, você conseguir chegar com saúde mental preservada, isso, por si só, já será uma grande vitória em 2026.


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