|
Com a chegada do Carnaval,
período marcado por festas, encontros e maior interação social, cresce
também a preocupação com a saúde sexual. O Ministério da Saúde alerta que
após grandes eventos festivos é comum haver aumento no número de
diagnósticos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), atualmente
chamadas de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
As ISTs são transmitidas
principalmente por meio de relações sexuais sem o uso de preservativo,
sejam elas vaginais, anais ou orais, e um dos principais desafios no
controle dessas infecções é o fato de que muitas podem evoluir de forma
silenciosa, sem sintomas imediatos. "A ausência de sinais não
significa que não há infecção. Muitas pessoas continuam transmitindo ISTs
sem saber, o que torna a prevenção e a testagem ainda mais
importantes", explica a ginecologista integrativa Monique Mion
Bürguer.
A especialista orienta que
durante e após o Carnaval, é comum observar maior incidência de infecções
como sífilis, HIV, gonorreia, clamídia, herpes genital, HPV e as
hepatites virais B e C. Algumas dessas infecções podem causar corrimento
vaginal ou uretral, feridas, coceira, dor ao urinar ou durante a relação
sexual. No entanto, muitas evoluem de forma assintomática e só são
identificadas em exames de rotina ou quando já provocaram complicações.
"É justamente o caráter silencioso de várias ISTs que faz com que o
diagnóstico tardio seja tão comum. Quando descobertas precocemente,
grande parte delas tem tratamento eficaz", destaca a médica.
Por que o risco aumenta no
Carnaval?
Segundo a especialista, alguns
comportamentos típicos do período contribuem para o aumento do risco de
transmissão. O consumo de álcool, a quebra da rotina, o envolvimento com
múltiplos parceiros e a falsa sensação de segurança acabam reduzindo o
uso do preservativo. "Ainda existe o mito de que 'uma vez não faz
diferença', mas uma única relação sexual sem proteção pode ser suficiente
para a transmissão de uma infecção", alerta Monique.
A prevenção é a principal aliada
da saúde sexual. Entre as orientações fundamentais estão o uso de
preservativo masculino ou feminino em todas as relações sexuais, evitar o
compartilhamento de objetos íntimos, realizar testagem regular,
especialmente após situações de risco, manter a vacinação em dia, como
contra HPV e hepatite B.
A médica também destaca que o SUS
oferece testes rápidos e gratuitos para HIV, sífilis e hepatites virais,
ampliando o acesso ao diagnóstico precoce. "Falar sobre ISTs não
significa tirar a alegria da festa, mas é promover consciência e
autocuidado. Liberdade precisa caminhar junto com responsabilidade. O
prazer não pode custar a saúde", reforça a ginecologista
|