Inverno aumenta riscos à saúde de idosos, alerta geriatra
Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, cresce a preocupação com os impactos do frio na saúde da população idosa. O período é marcado pelo aumento de doenças respiratórias, agravamento de condições crônicas e maior risco de complicações cardiovasculares, além de situações como desidratação e hipotermia. Diante desse cenário, os cuidados preventivos e a atenção familiar se tornam fundamentais para garantir bem-estar e reduzir internações e casos graves.
Para esclarecer os principais riscos e orientar sobre medidas de prevenção, a Gazeta de Limeira ouviu a médica geriatra Dra. Aline Botechia. Graduada pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), ela realizou residência em Clínica Médica pela UNICAMP e em Geriatria pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE). A especialista possui título de especialista em Geriatria pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e atua no cuidado integral da saúde do idoso.
1. Quais são os principais riscos que as baixas temperaturas representam para a saúde da população idosa durante o inverno?
Com a chegada das baixas temperaturas e do frio intenso, é importante redobrar a atenção aos principais riscos à saúde da população idosa.
O primeiro grupo de risco envolve os quadros respiratórios. Nesta época do ano, pessoas com doenças crônicas como asma, bronquite e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) podem apresentar descompensações. Além disso, há maior circulação de vírus e bactérias, aumentando a incidência de gripe, resfriados, sinusites, rinite alérgica e até pneumonia.
Outro ponto importante é o aumento de doenças cardiovasculares. Com o frio, ocorre vasoconstrição — ou seja, contração dos vasos sanguíneos como mecanismo de preservação de calor. Essa adaptação, porém, pode elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração, aumentando o risco de infarto, AVC, angina e outras condições isquêmicas.
Também devemos considerar a hipotermia, definida como queda da temperatura corporal abaixo de 35°C. Os idosos são mais vulneráveis devido à menor capacidade de regulação térmica. Os sinais incluem fraqueza, fadiga, pele fria ou arroxeada, confusão mental e, em casos mais graves, diminuição do tremor. Situações assim exigem avaliação médica imediata.
A desidratação é outro risco frequente. No inverno, a sensação de sede diminui e a ingestão de líquidos tende a cair, o que pode levar à desidratação, especialmente em idosos, que já apresentam redução natural desse mecanismo.
Por fim, há a pele seca e suas complicações. O ressecamento cutâneo é comum no envelhecimento e pode se intensificar no frio, causando coceira, fissuras e maior risco de dermatites e lesões de pele.
2. Quais cuidados familiares e medidas preventivas são fundamentais para proteger os idosos de doenças respiratórias e outras complicações comuns nesta época do ano?
A prevenção é a principal ferramenta de proteção no inverno.
A vacinação é indispensável. Manter o calendário vacinal atualizado é uma das medidas mais eficazes para reduzir hospitalizações e casos graves. A vacina contra influenza é de extrema importância, já que a gripe pode evoluir com complicações importantes em idosos, como pneumonia e descompensação de doenças crônicas. Também são relevantes as vacinas contra COVID-19, pneumococo e vírus sincicial respiratório (VSR), conforme indicação médica.
Outras medidas importantes incluem:
Manter ambientes ventilados, mesmo no frio;
Evitar aglomerações em locais fechados e, quando necessário, usar máscara;
Higienizar as mãos com frequência;
Evitar exposição à fumaça de cigarro;
Manter acompanhamento regular das doenças crônicas;
Utilizar roupas adequadas em camadas, protegendo bem extremidades;
Manter hidratação adequada;
Hidratar a pele e evitar banhos muito quentes e prolongados;
Evitar buchas e esponjas agressivas;
Manter alimentação equilibrada, com frutas, legumes, proteínas e grãos integrais;
Manter atividade física conforme a condição clínica;
Cuidar da saúde mental, reduzindo estresse e garantindo boa qualidade de sono.
3. A hidratação costuma ser menos lembrada nos dias frios. Qual a importância da ingestão de líquidos para os idosos durante o inverno e quais sinais de alerta merecem atenção?
A hidratação adequada no inverno é essencial, embora muitas vezes negligenciada. Mesmo com menor sudorese, o organismo continua necessitando de água para o funcionamento adequado dos órgãos vitais.
A água é fundamental para o funcionamento do corpo, ajudando na prevenção de cálculos renais, infecções urinárias, constipação intestinal e contribuindo também para a saúde cognitiva. A desidratação, em idosos, pode inclusive aumentar o risco de delirium e quedas.
Algumas estratégias podem ajudar a manter a ingestão de líquidos:
Deixar a água visível e acessível,
Utilizar copos ou garrafas de fácil manuseio,
Oferecer líquidos ao longo do dia por familiares ou cuidadores,
Utilizar lembretes em aplicativos,
Incluir alimentos ricos em água, como melancia, pepino e chuchu,
Variar com chás sem açúcar, sopas e água saborizada com frutas.
A desidratação ocorre quando a perda de líquidos é maior do que a ingestão. Em idosos, fatores como menor reserva hídrica corporal e uso de diuréticos aumentam esse risco. Os sinais de alerta incluem urina escura e em pequena quantidade, boca seca, olhos sem lágrimas, tontura, pressão baixa e, principalmente, alteração do nível de consciência.
4. Em cidades como Limeira, quais orientações a senhora considera essenciais para que os idosos mantenham a qualidade de vida e a saúde durante os meses mais frios do ano?
Em cidades como Limeira, onde mais de 18% da população tem mais de 60 anos, cuidar da saúde dos idosos no inverno é uma responsabilidade coletiva.
A proteção envolve desde o autocuidado dos idosos mais ativos até o apoio da família e da comunidade aos mais frágeis e vulneráveis. Medidas como vacinação em dia, ambientes adequados, alimentação saudável, acesso aos serviços de saúde e cuidado humanizado são fundamentais para garantir que os idosos atravessem o inverno com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.
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