Um a cada três jovens do interior paulista está acima do peso
A obesidade infantil, considerada uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), avança em ritmo acelerado e preocupa autoridades de saúde em todo o mundo. A projeção da World Obesity Federation indica que mais de 500 milhões de crianças e adolescentes poderão conviver com a doença até 2040. Neste 3 de junho, Dia de Conscientização e Combate à Obesidade Infantil, o alerta ganha ainda mais força diante do aumento dos índices registrados no Brasil e no Estado de São Paulo.
Dados apurados pela Gazeta de Limeira, junto ao Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mostram que o número de crianças com obesidade atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quase triplicou no país nos últimos dez anos, passando de 394 casos em 2015 para 1.168 em 2025. Entre os adolescentes, o crescimento também chama atenção: os registros aumentaram de 1.096 para 1.439 no mesmo período, alta de 31,3%. Atualmente, esse grupo representa 41% dos jovens de 10 a 19 anos acompanhados pelo sistema público de saúde.
No interior paulista, o cenário também preocupa. Levantamento baseado em dados do SUS aponta que um em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta excesso de peso. Em 2025, o índice atingiu 27% dessa população, o equivalente a 10.969 jovens. Entre crianças de 5 a 9 anos, a situação é ainda mais grave: cerca de 33,5% apresentam excesso de peso. Desde 2024, o percentual alcançou 34,2%, representando mais de 35 mil crianças na região.
De acordo com os critérios da OMS adotados pelo Ministério da Saúde, o diagnóstico da obesidade infantil não utiliza valores fixos de IMC como nos adultos, mas sim uma comparação estatística por idade e sexo baseada em percentis e escores-z. Em crianças menores de cinco anos, o sobrepeso é estabelecido quando o índice supera o percentil 97 e a obesidade é definida acima do percentil 99,9. Já na faixa etária dos 5 aos 19 anos, o percentil 97 passa a indicar obesidade e valores acima de 99,9 consolidam o quadro de obesidade grave. Essa metodologia permite mapear com precisão o desenvolvimento físico e identificar precocemente os riscos à saúde metabólica na infância.
Especialistas ressaltam que a obesidade infantil é uma doença multifatorial, influenciada por aspectos biológicos, sociais, psicológicos e ambientais. Para a nutricionista Rachel Helena Vieira Machado, doutoranda em saúde materno-infantil, o enfrentamento do problema exige esforços conjuntos. “A obesidade surge não pela falta de força de vontade, não é só ‘comer menos’. Na realidade, estamos em um momento em que devemos reforçar nossa cobrança junto aos gestores de saúde e de políticas públicas, ao mesmo tempo em que relembramos a importância do estilo de vida saudável”, afirma.
Em Limeira, a prevenção da obesidade infantil integra as ações do Programa Saúde na Escola (PSE), desenvolvido pela Prefeitura, por meio das secretarias de Saúde e Educação. Desde março, estudantes da rede municipal recebem orientações sobre alimentação saudável, prática de atividades físicas e promoção da saúde.
Atualmente, 12 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) participam do programa e levam ações educativas a 15 escolas do município. Além da prevenção da obesidade, a iniciativa aborda temas como saúde mental, vacinação, saúde bucal, prevenção ao uso de álcool e drogas e combate às violências. Para especialistas, ampliar o acesso à informação e fortalecer políticas públicas são medidas fundamentais para frear o avanço da obesidade infantil e garantir mais qualidade de vida às futuras gerações.
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