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Pneumo20: "O mais importante é que a criança seja vacinada"

Pneumo20: "O mais importante é que a criança seja vacinada"

Com a vacina já disponível em Limeira, especialista esclarece dúvidas sobre o novo imunizante, o calendário do SUS e a proteção contra doenças graves causadas pelo pneumococo

 

Elis Monfardini

 

A Prefeitura de Limeira iniciou nesta semana a aplicação da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo20) em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com sala de vacinação. O novo imunizante amplia a proteção contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como pneumonia, meningite, sepse, além de infecções como otite e sinusite.

 

A incorporação da vacina ao calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) representa um avanço na prevenção de doenças pneumocócicas, consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais causas de mortalidade infantil por doenças imunopreveníveis. A chegada da Pneumo20 também levantou dúvidas entre pais e responsáveis sobre quem deve receber a vacina, as diferenças entre os calendários do SUS e da rede privada e a necessidade de complementar o esquema vacinal.

 

Para esclarecer essas questões, a Gazeta conversou com a médica Ana Eliza Garcia, diretora-técnica da Amivi, empresa especializada em vacinação. Na entrevista, ela explica o funcionamento da nova vacina, detalha os públicos contemplados pelo SUS e reforça que o principal cuidado é manter a vacinação em dia. "O mais importante é que a criança seja vacinada e não deixe de receber as doses recomendadas", destaca a especialista.

 

 

O que é a vacina Pneumo20 e quais doenças ela ajuda a prevenir? 

A Pneumo20 é uma vacina que protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo), uma das principais causas de infecções bacterianas em crianças pequenas, idosos e pessoas com determinadas condições de saúde. Essa bactéria pode causar doenças graves, como pneumonia, meningite e sepse, além de infecções frequentes, como otite e sinusite. A vacinação reduz significativamente o risco dessas doenças e de suas complicações, contribuindo também para diminuir hospitalizações e mortes, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.




Quem passa a ter direito à Pneumo20 pelo SUS e qual a importância dessa incorporação? 

A Pneumo20 passa a integrar o calendário de vacinação do SUS para os públicos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Entre eles estão os bebês, que passam a receber a vacina na rotina infantil, além de outros grupos contemplados pelas recomendações do Ministério da Saúde, como pessoas com condições clínicas específicas e, em determinadas situações, idosos elegíveis conforme os critérios do programa. A incorporação da Pneumo20 representa um avanço importante porque amplia a proteção contra um número maior de sorotipos do pneumococo em relação às vacinas anteriormente utilizadas, fortalecendo a prevenção de doenças como pneumonia, meningite e sepse. Além disso, amplia o acesso da população a uma vacina mais atualizada pelo SUS e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes causadas por essas infecções.




Qual é o esquema de vacinação adotado pelo SUS para os bebês? Outras faixas etárias são contempladas?

Na primeira infância, o SUS adota um esquema de três doses contra a doença pneumocócica: uma dose da Pneumo20 aos 2 meses, uma dose da Pneumo10 aos 4 meses e uma dose de reforço com a Pneumo20 aos 12 meses. Além dos bebês, crianças menores de 5 anos que não iniciaram ou não completaram o esquema vacinal também podem receber a vacina, conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que prevê estratégias de atualização da caderneta de vacinação para quem perdeu alguma dose. Os idosos também são contemplados pelo SUS, mas não de forma universal. A Pneumo20 é indicada para grupos específicos definidos pelo Ministério da Saúde, especialmente pessoas com condições clínicas que aumentam o risco de doença pneumocócica grave, como imunossupressão, doenças crônicas e outras situações previstas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Portanto, nem todas as pessoas com 60 anos ou mais recebem a Pneumo20 automaticamente na rotina do SUS; a indicação depende dos critérios clínicos estabelecidos pelo PNI. 



Na rede privada, o calendário é diferente. Por que o SUS aplica duas doses de Pneumo20, enquanto a rede privada recomenda quatro doses? 

O SUS adotou um esquema vacinal diferente do utilizado na rede privada, mas ambos são baseados em evidências científicas e têm como objetivo proteger as crianças contra as doenças pneumocócicas. Na rede privada, o calendário segue a recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a indicação prevista em bula para a Pneumo20, com quatro doses: aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de um reforço aos 12 meses. Já o Ministério da Saúde definiu um esquema que combina Pneumo20 aos 2 meses, Pneumo10 aos 4 meses e Pneumo20 aos 12 meses, considerando os estudos científicos disponíveis, a efetividade da estratégia e a realidade do Programa Nacional de Imunizações. Ambos os calendários têm respaldo técnico, embora adotem estratégias diferentes para alcançar a proteção contra os principais sorotipos do pneumococo. Na rede privada, a Pneumo20 também pode ser indicada para crianças maiores, adolescentes, adultos e idosos, conforme a faixa etária, o histórico vacinal e as condições clínicas de cada pessoa, sempre de acordo com a orientação médica.

 

A criança que recebe apenas as doses previstas pelo SUS estará protegida? Há diferença em relação ao esquema de quatro doses? 

Sim. A criança que recebe todas as doses previstas no calendário do SUS estará protegida contra as principais doenças causadas pelo pneumococo, conforme a estratégia adotada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), baseada em evidências científicas de segurança e eficácia. A principal diferença em relação ao esquema de quatro doses, recomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e previsto em bula, é que essa estratégia busca ampliar e manter níveis elevados de proteção durante o primeiro ano de vida, período em que os bebês apresentam maior risco de desenvolver infecções pneumocócicas graves, como meningite, pneumonia e sepse. Portanto, ambos os esquemas têm respaldo técnico e científico. O calendário do SUS oferece proteção adequada para a população infantil dentro da estratégia do Programa Nacional de Imunizações, enquanto o esquema da rede privada busca ampliar essa proteção com as doses de Pneumo20 também no 4.o e no 6.o mês de vida.



Os pais podem optar por complementar na rede privada o esquema iniciado no SUS?

Sim. Os pais podem conversar com o pediatra sobre a possibilidade de complementar o esquema vacinal na rede privada. Essa é uma decisão individual, que deve levar em consideração a idade da criança, as vacinas já recebidas, o intervalo entre as doses e o histórico de saúde do paciente. O profissional avaliará se há necessidade de doses adicionais e qual é o esquema mais adequado para cada caso. É importante que os pais levem a caderneta de vacinação à consulta para que o médico possa verificar as doses já aplicadas e evitar aplicações fora do intervalo recomendado.

 

 

Ter calendários vacinais diferentes significa que um está certo e o outro errado? Como os pais devem interpretar essas diferenças?

Não. Os pais devem levar em consideração que os calendários do SUS e da rede privada são elaborados com objetivos e critérios diferentes, ambos baseados em evidências técnicas e científicas. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) define as estratégias de vacinação para toda a população, enquanto a rede privada segue as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e as indicações previstas em bula. Devem também ter em mente que o mais importante é que a criança seja vacinada e não deixe de receber as doses recomendadas. Sempre que houver dúvidas sobre qual esquema seguir ou sobre a possibilidade de complementar o calendário, é aconselhável conversar com o pediatra, que poderá indicar a melhor conduta para cada caso.




Que orientação você daria aos pais que ficaram em dúvida sobre qual esquema vacinal seguir e como garantir a melhor proteção para seus filhos? 

Minha principal orientação é que os pais não adiem a vacinação por causa de dúvidas ou pela falta momentânea de uma vacina. Se houver indisponibilidade do imunizante, o ideal é procurar o pediatra para receber a orientação mais adequada, em vez de esperar por tempo indeterminado e deixar a criança desprotegida. O mais importante é manter o calendário vacinal em dia. 


A Pneumo20 oferece proteção contra mais sorotipos do que as vacinas anteriores? Qual é o impacto prático dessa ampliação? 

Sim. A Pneumo20 é uma vacina mais recente e atualizada do que a Pneumo10, que já era utilizada no SUS. Enquanto a Pneumo10 protege contra 10 sorotipos do pneumococo, a Pneumo20 amplia essa cobertura para 20 sorotipos, incluindo 10 variantes adicionais da bactéria, responsáveis por uma parcela importante das doenças pneumocócicas. Essa ampliação na cobertura contra os sorotipos mais recorrentes contribui para reduzir casos graves e internações.


Quem já tomou a Pneumo10 ou a Pneumo13 precisa receber a Pneumo20?

Não necessariamente. A decisão sobre a utilização da Pneumo20 em crianças que já receberam a Pneumo10 ou a Pneumo13 deve ser avaliada por um profissional de saúde, levando em conta a idade da criança, o esquema e o histórico vacinal já realizado, além da presença de condições de saúde que aumentem o risco de doença pneumocócica. 

 

 

 

 

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