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Álcool na gravidez pode causar danos permanentes ao bebê

A ingestão de álcool durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento do bebê e causar alterações que acompanham a criança por toda a vida. Especialistas alertam que não existe uma dose de álcool considerada segura na gestação e classificam os efeitos da exposição pré-natal como uma “epidemia silenciosa”. As informações foram apresentadas durante um encontro com especialistas, com participação de médicos das áreas de obstetrícia e neonatologia.

A principal consequência é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), uma condição que pode ser totalmente prevenida quando não há consumo de álcool durante a gestação. A doença pode provocar alterações no crescimento, no desenvolvimento do sistema nervoso central, na aprendizagem, na cognição e no comportamento. Segundo os especialistas, o álcool é uma das principais causas evitáveis de alterações neurocomportamentais em crianças.

Os efeitos podem ocorrer em diferentes fases da gravidez. Nas primeiras semanas, quando órgãos como coração, olhos e sistema nervoso estão em formação, a exposição ao álcool pode provocar alterações estruturais e até aumentar o risco de aborto. Ao longo da gestação, também pode causar problemas no crescimento do bebê, alterações neurológicas e malformações. O álcool chega à circulação fetal e permanece por mais tempo no organismo do bebê, que ainda não possui a mesma capacidade de metabolização de um adulto.

Dados apresentados no encontro mostram que os efeitos da exposição pré-natal ao álcool são mais frequentes do que se imagina. A prevalência global de alterações relacionadas ao álcool, incluindo a SAF, foi estimada em 7,7 casos para cada mil nascidos vivos. No Brasil, pesquisa realizada em uma maternidade municipal de São Paulo encontrou 5,52 casos de SAF por mil nascidos vivos e 38,69 casos por mil de desordens relacionadas ao álcool.

Os especialistas destacam que os danos dependem de fatores como quantidade de álcool ingerida, período da gravidez, alimentação da mãe e características individuais. O aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre mulheres também reforça a necessidade de prevenção e orientação. Para os médicos, a informação é uma das principais ferramentas para evitar a Síndrome Alcoólica Fetal e outras consequências da exposição do bebê ao álcool durante a gestação.


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