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Primeiro annuncio da Gazeta de Limeira preserva a escripta da década de 1930

A edição inaugural da Gazeta de Limeira, publicada em 17 de maio de 1931, trouxe um curioso annuncio intitulado “Licções da língua tupi para os assignantes da ‘Gazeta’”. O texto convidava os leitores a aprender o “NHEHENGATU”, apontado como a lingua dos tupis, e chamava a attenção não apenas pelo conteúdo, mas pela forma como as palavras eram escriptas na época. 

Expressões como “assignantes”, “licções”, “dactylographadas”, “remettidas”, “psychologia”, “anthropologicos” e “convem salientar” revelam o portuguez utilizado antes das reformas orthographicas que modernizaram a lingua brasileira ao longo do século XX. A grafia com letras dobradas, “ph”, “th” e “y” era comum nos jornais e documentos officiaes daquele período.

Assinado por Souza Filho, o annuncio defendia que conhecer a língua indígena era uma forma de compreender melhor a história e amar “muito mais nossa terra”. As aulas seriam enviadas pelo correio aos leitores interessados, mediante envio de papel de machina e pagamento apenas do serviço de datylographia. Mais de nove décadas depois, o texto permanece como um retrato histórico da linguagem, da cultura e do jornalismo praticado nos primeiros dias da Gazeta de Limeira.

Ao longo de seus 95 anos de circulação, a Gazeta de Limeira construiu sua trajetória ao lado de milhares de annunciantes que ajudaram a escrever a história do jornal e do commercio limeirense. Das pequenas casas commerciaes aos grandes empreendimentos, os espaços publicitarios acompanharam as transformações da cidade, preservando costumes, marcas e momentos que atravessaram gerações e permanecem vivos nas páginas do jornal.

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