Foto de capa da notícia

Sem Google, Netflix e iPhone, 1994 marcou os primeiros passos da internet

Em 1994, a internet ainda representava uma promessa de futuro. Longe de integrar a rotina da maioria das pessoas, a rede mundial de computadores era utilizada principalmente por pesquisadores, universidades, empresas e entusiastas da tecnologia. Não existiam Google, redes sociais, serviços de streaming, aplicativos de mensagens ou smartphones. Navegar na web exigia equipamentos específicos, conexões lentas e muita paciência. Ao mesmo tempo em que a revolução digital dava seus primeiros passos, o Brasil vivia um dos anos mais marcantes de sua história recente, com a implantação do Plano Real e a conquista do tetracampeonato mundial de futebol.

O acesso à internet ocorria por meio de modems conectados à linha telefônica residencial. As velocidades variavam entre 14,4 e 28,8 kbps, milhares de vezes inferiores às conexões de fibra óptica atuais. Durante a navegação, a linha telefônica permanecia ocupada, impedindo chamadas. Bastava alguém tirar o telefone do gancho para interromper a conexão. Além disso, como a cobrança era feita por tempo de uso, permanecer conectado representava um custo elevado para muitas famílias. Por isso, acessar a internet exigia planejamento e, em muitos casos, acontecia apenas nos horários em que as tarifas telefônicas eram mais baratas.

A própria World Wide Web estava em sua fase inicial. No começo de 1994 existiam apenas 623 sites em todo o planeta. Seis meses depois, esse número ultrapassava 2,7 mil páginas e, ao final do ano, chegava a pouco mais de 10 mil endereços, marco que sinalizou o início da expansão acelerada da web. As páginas eram simples, construídas em HTML básico, com textos longos, poucas imagens estáticas, alguns GIFs animados e praticamente nenhum recurso multimídia. Foi naquele ano que surgiram alguns dos primeiros serviços que mais tarde se tornariam referências da internet, como Yahoo!, Internet Underground Music Archive (IUMA), Cool Site of the Day e a revista digital HotWired. O navegador Netscape Navigator também contribuiu para tornar a navegação mais acessível e impulsionar o crescimento da rede.

Enquanto a internet iniciava sua expansão, o Brasil atravessava um período de profundas transformações. Em 1º de julho de 1994 entrou em circulação o Plano Real, medida econômica que controlou a hiperinflação e devolveu estabilidade ao país após anos de descontrole dos preços. Pouco antes, a morte do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna provocou comoção nacional. Dois meses depois, a conquista do tetracampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo dos Estados Unidos devolveu o entusiasmo ao país e tornou-se um dos momentos mais marcantes da década. Na cultura, televisão, rádio, jornais e revistas concentravam a informação e o entretenimento, enquanto o rock nacional dividia espaço com o crescimento do sertanejo e do pagode.

Três décadas depois, a comparação entre 1994 e os dias atuais evidencia a dimensão da revolução tecnológica. Ferramentas hoje indispensáveis, como Google, Netflix, YouTube, WhatsApp e iPhone, sequer existiam. Em poucos anos, a internet deixou de ser uma novidade restrita a especialistas para se tornar protagonista da comunicação, da educação, do trabalho e da vida cotidiana em todo o mundo.

Comentários

Compartilhe esta notícia

Faça login para participar dos comentários

Fazer Login