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Mercadão de São Paulo: símbolo da capital reúne cultura, turismo e gastronomia há mais de nove décadas

A Gazeta de Limeira traz hoje uma reportagem especial que reúne história, cultura e uma das maiores experiências gastronômicas do mundo. Em entrevista ao jornal, Aldo Bonametti, CEO da concessionária Mercado SP, responsável pela administração do Mercadão de São Paulo, destacou os momentos históricos que consolidaram o local como símbolo da capital paulista e referência internacional em gastronomia.

Durante a conversa, Bonametti destaca que o nascimento do Mercado Municipal foi, por si só, um grande acontecimento. “O próprio nascimento do Mercado Municipal foi o maior acontecimento. Sua construção surpreendeu pela inspiração em um modelo de mercado de Berlim, na Alemanha”. Inaugurado em 25 de janeiro de 1933, o Mercado Municipal Paulistano teve projeto elaborado em 1926 pelo arquiteto Francisco Ramos de Azevedo, responsável por construções marcantes da cidade, entre elas o Theatro Municipal, o Palácio das Indústrias e o Edifício dos Correios. Entre os elementos que mais chamam a atenção estão os 72 vitrais assinados pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho, que retratam cenas da produção agrícola e do cotidiano paulista.

A obra começou em 1928 e teve como objetivo substituir o antigo mercado, que funcionava desde meados do século XIX na Rua 25 de Março. A localização escolhida, no quadrilátero formado pelas ruas Cantareira, Comendador Assad Abdala, Mercúrio e Avenida do Estado, tinha caráter estratégico. Na época, ficava próxima da rede ferroviária e das margens do rio Tamanduateí, o que facilitava o embarque e o desembarque das mercadorias transportadas principalmente por embarcações. Quando o prédio ficou pronto, em 1932, a Revolução Constitucionalista impediu a inauguração. Durante o conflito, o espaço serviu como depósito de armas e munições. A abertura oficial ocorreu apenas no ano seguinte, na data do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 1933.

Outro episódio curioso envolve a área cultural. O prédio chegou a abrigar a primeira Secretaria de Cultura da cidade, sob a chefia do escritor modernista Mário de Andrade. Após o término da Segunda Guerra Mundial e com a economia brasileira aquecida, o local consolidou-se como o principal entreposto de alimentos da capital.

Atualmente, o Mercadão abriga cerca de 300 boxes e recebe aproximadamente 50 mil visitantes por semana. O espaço reúne açougues, peixarias, bancas de frutas e legumes, empórios, bares e restaurantes, além de área de eventos, espaço gourmet, setor administrativo, mezanino e estacionamento. O local também assumiu papel cultural importante. Shows musicais, apresentações teatrais, feiras de artesanato e eventos gastronômicos acontecem com frequência nas dependências do mercado e atraem públicos diversos.

Um marco importante na modernização do Mercadão surgiu em 2004, com a construção do mezanino. O espaço, com mil metros quadrados e suspenso a quase cinco metros do chão, abriga oito restaurantes e reforçou o Mercadão como polo gastronômico e turístico da cidade.

Um dos principais cartões-postais da capital paulista, o Mercado Municipal celebrou neste ano 93 anos de história, na mesma data em que São Paulo completou 472 anos. Para Aldo Bonametti, a coincidência reforça o papel simbólico do espaço na cidade.

Passear pelo Mercado Municipal de São Paulo é um convite à descoberta de novos sabores. O galpão, com mais de 12 mil metros quadrados, reúne ingredientes raros e produtos finos que abastecem alguns dos principais restaurantes da capital. Entre presuntos e queijos especiais surgem lagostas, frutos do mar, sorvetes artesanais e pratos tradicionais. O colorido das frutas exóticas se mistura ao tom intenso dos alimentos defumados e forma um cenário gastronômico único.

Entre as iguarias mais famosas está o tradicional sanduíche de mortadela, um dos símbolos do Mercadão. Criado no Bar do Mané, em atividade desde a inauguração do mercado em 33, o lanche tornou-se uma das principais atrações para os visitantes. A receita inclui entre 12 e 15 fatias de mortadela, além de bacon, queijo cheddar e alface americana, com cerca de 300 gramas. Outro destaque é o famoso pastel de bacalhau, acompanhado de uma grande variedade de pratos, como feijoada e opções da culinária internacional e regional brasileira.

De acordo com Bonametti, o objetivo da concessionária é manter o equilíbrio entre tradição e inovação. “Buscamos ser o maior e melhor mercado do mundo na oferta de produtos, serviços e eventos de gastronomia”, afirma.

Ao final da entrevista, o executivo reforça o convite aos visitantes. “A cidade de São Paulo é um polo de turismo de negócios. Recebe grandes eventos, consumidores e turistas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Donas de casa, chefs e apaixonados por gastronomia visitam o Mercadão para conhecer e consumir o que há de melhor na cidade. ” Bonametti também recomenda uma visita ao Mercado Kinjo Yamato, localizado bem em frente ao Mercadão. Um dos espaços mais tradicionais, que reúne produtos típicos da cultura japonesa, de peixes frescos a doces, chás e utensílios e transforma cada corredor em uma nova descoberta gastronômica.

Entre história, arquitetura e sabores do mundo inteiro, o Mercadão permanece como um dos grandes cartões-postais de São Paulo e destino obrigatório para quem busca uma viagem ao mundo, dentro do sabor da gastronomia.

 


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