Compras de material escolar desafiam orçamento familiar, revela economista
Entre as contas que mais pesam no bolso das famílias no início do ano estão a matrícula, mensalidades escolares e o material escolar. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 88% das famílias precisam ajustar os gastos do mês de janeiro para conseguir comprar os materiais escolares. Essa concentração ocorre porque muitos desses compromissos seguem o calendário fiscal e educacional, enquanto a renda das famílias não sofre um aumento proporcional nesse mesmo período. Em muitos casos, o orçamento já vem pressionado pelas despesas de fim de ano, o que amplia a sensação de aperto financeiro em janeiro e fevereiro.
Diante desse cenário, a Gazeta de Limeira ouviu o economista Guilherme Palmieri de Almeida, que analisou os impactos desse período no orçamento doméstico e apresentou recomendações para lidar com o chamado “efeito janeiro” sem recorrer ao endividamento. Almeida comentou que a principal estratégia é o planejamento antecipado. “Sempre que possível, é recomendável se organizar ao longo do ano anterior para garantir os recursos para despesas previsíveis, como impostos e material escolar. Para quem não conseguiu se antecipar, a prioridade deve ser hierarquizar gastos, diferenciando o que é essencial do que pode ser adiado. Negociar descontos à vista, comparar preços e evitar parcelamentos longos com juros elevados também são medidas importantes”.
Recentemente divulgado pela Gazeta, um levantamento realizado pelo Procon-SP mostra que um mesmo item de material escolar pode ter variação de preço de quase 280% entre estabelecimentos, o que indica um grande potencial de economia com pesquisa. Além disso, o uso do crédito deve ser cauteloso, parcelar só faz sentido quando não há juros ou quando a alternativa é comprometer despesas básicas do mês.
Questionado sobre os fatores econômicos que explicam o aumento ou a redução dos gastos com material escolar neste ano em comparação com períodos anteriores, o economista destacou o comportamento das famílias diante da pressão sobre o orçamento. “Podemos sim perceber um aumento nos gastos com material escolar pelas famílias, independente de um maior valor ou variação de preços entre as regiões e cidades, cerca de 88% das famílias declaram que esses gastos influenciam nas contas de janeiro. Por isso, muitas acabam recorrendo a estratégias para economizar, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, cerca de 80% das famílias reaproveitam material escolar de anos anteriores, comprando apenas o que é realmente necessário. Esse comportamento ajuda a explicar por que, mesmo com aumento de preços, as famílias fazem o possível para não aumentar muito o gasto total com os materiais escolares”.
Além do comportamento do consumidor, fatores macroeconômicos também influenciam diretamente o valor final pago pelas famílias. A inflação e a variação nos custos de insumos seguem impactando o setor. “A inflação e a variação de preços de papel, livros e outros insumos impactaram o custo total do material escolar neste ano. “A inflação impacta o custo do material escolar principalmente por meio dos insumos utilizados na produção e na distribuição dos produtos. Itens como papel, celulose, tinta, energia elétrica e transporte têm peso relevante na formação de preços de cadernos, livros e outros materiais escolares. Mesmo quando a inflação geral desacelera, variações nesses custos específicos podem gerar aumentos pontuais de preços. Além disso, a grande dispersão de preços entre estabelecimentos, com diferenças que chegam a quase 280% para o mesmo item, mostra que não apenas os custos produtivos, mas também estratégias comerciais e logísticas influenciam o preço final pago pelas famílias, reforçando a importância da pesquisa e do consumo planejado”, ressaltou à reportagem.
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