Período de volta às aulas aquece comércio em Limeira
Oito em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar reaproveitam itens do ano letivo anterior na volta às aulas, como mochilas, estojos e cadernos parcialmente utilizados. O dado consta em pesquisa do Instituto Locomotiva e evidencia que a economia se consolidou como estratégia prioritária das famílias diante do aumento dos custos relacionados ao início do ano escolar.
Em entrevista à Gazeta de Limeira, o gerente de uma papelaria da cidade, Rogério Campos, afirmou que a procura por material escolar já começou, ainda que de forma gradual na primeira semana de janeiro. Segundo ele, parte dos consumidores antecipa as compras, principalmente durante períodos promocionais. “Antes mesmo de terminar o ano letivo, muitos pais aproveitam a Black Friday para comprar. No entanto, a maioria deixa para fevereiro. Muitos dizem que aguardam para acompanhar tendências, como desenhos animados do momento, novas coleções ou o que faz sucesso no TikTok”, explicou.
Rogério destacou que o comércio acompanha esse comportamento de consumo por meio de pesquisas frequentes. “Realizamos um levantamento de mercado a cada seis meses para entender a demanda. Mesmo assim, mantemos as opções clássicas, que seguem entre as mais procuradas por adolescentes e adultos”, afirmou à Gazeta.
A pesquisa também apontou que as lojas físicas permanecem como o principal canal de compra para 45% dos brasileiros. Outros 39% pretendem combinar compras presenciais e online, enquanto 16% planejam adquirir a maior parte do material exclusivamente pela internet, o que reforça um perfil de consumo híbrido.
Sobre a concorrência com as vendas online, inclusive em sites estrangeiros, Rogério Campos comentou à Gazeta de Limeira que esse movimento já faz parte da rotina do setor. “Todos os anos acontece da mesma forma. A maioria deixa para comprar poucos dias antes do início das aulas. Ainda assim, temos muitos clientes fiéis, que valorizam o atendimento, gostam de ver o material de perto e escolher com calma. Alguma coisa eles até buscam na internet, mas cerca de 90% ainda preferem ir até a loja física”, relatou.
O impacto dos gastos escolares no orçamento familiar segue significativo. Cerca de 88% dos brasileiros afirmam que despesas com material escolar, uniformes e livros didáticos comprometem as finanças da casa. Entre as famílias de menor renda, essa percepção se mostra ainda mais intensa.
A moradora Joice Morais contou que adota uma estratégia de planejamento financeiro para lidar com esses custos. Segundo ela, parte do 13º salário de dezembro já tem destino certo. “Todos os anos separo uma quantia exclusivamente para o material escolar das minhas duas filhas no ano seguinte. Tenho esse hábito há oito anos e sempre funcionou. Assim, não passo aperto em janeiro, quando surgem despesas como IPVA, IPTU e outras contas fixas”, afirmou.
Já a Mariângela Rodrigues Bueno se antecipou para as compras de material escolar da filha mais nova. “Por ser ensino infantil eu prefiro pesquisar antes de comprar. Já tenho uma lista com os principais o que já facilita para o orçamento. Se deixar pra última hora acaba comprando os itens mais caros, ou os que sobraram no estoque”, disse.
A Gazeta também ouviu o Procon de Limeira. A diretora do órgão, Carolina Pontes, informou que, tradicionalmente, o Procon-SP envia orientações e recomendações sobre a compra de material escolar. “Neste ano, ainda não recebemos nenhuma reclamação ou registro relacionado ao tema, nem procura por orientações específicas”, declarou à reportagem.
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