Dos “ph” aos novos acordos: a evolução da língua portuguesa nos 95 anos da Gazeta
Em seus 95 anos de história, a Gazeta de Limeira acompanhou não
apenas as transformações da sociedade e da comunicação, mas também as mudanças
da própria língua portuguesa. Palavras que estampavam antigas edições do
jornal, como “pharmacia”, “Theatro” e “commercio”, hoje aparecem adaptadas às
normas ortográficas atuais, refletindo a evolução da escrita ao longo das
décadas.
Para abordar as mudanças da grafia “ph” para “f”, as reformas
ortográficas e os impactos dessas transformações no ensino e na comunicação, a
Gazeta de Limeira entrevistou Marcos José Paula Garcia, o professor Garcia.
Graduado em Letras pela PUCCAMP, com pós-graduação pela PUCCAMP e Unicamp,
mestrado pela Unesp de Araraquara e pós em Gestão Escolar pela Faveni, Garcia
possui ampla trajetória acadêmica e docente.
Professor universitário nas instituições Einstein, Claretianas e
Anhanguera, também atuou em cursos técnicos do Senai, Sesi e Senac e leciona
atualmente na EE Prof. Odécio Lucke. Integrante da banca de corretores do ENEM
e do vestibular da Unicamp, o professor também marcou presença na história da
Gazeta ao conduzir dezenas de alunos à conquista do tradicional Prêmio Gazeta
de Literatura ao longo dos anos.
. Ao longo dos 95
anos da Gazeta de Limeira, a língua portuguesa passou por diversas
transformações. Como o senhor avalia a evolução da grafia de palavras antigas
como “pharmacia”, “Theatro” e “commercio” até as formas atuais?
A língua é dinâmica, todos os anos a Academia Brasileira de Letras
acrescenta novos vocábulos. Dessa forma, as reformas ortográficas tornam-se
necessárias. A primeira ocorreu na década de 40, mas só nos anos 60 ela foi
colocada em prática.
. A substituição do
“ph” pelo “f” foi uma das mudanças mais marcantes da ortografia portuguesa.
Qual era a lógica da grafia antiga e por que houve a necessidade de
simplificação da escrita?
Foi substituído “PH” por “F”, como na palavra Pharmácia (origem
grega), entre outras.
. A reforma
ortográfica implementada em 2009 ainda gera dúvidas entre estudantes e
profissionais da comunicação. Quais foram as principais mudanças trazidas pelo
acordo ortográfico e quais erros continuam mais frequentes atualmente?
A reforma mais significativa ocorreu recentemente, em 2016, com a
retirada do uso do trema, algumas palavras acentuadas e uso de hífen em alguns
vocábulos, porém só 5% ou 6% das palavras existentes sofreram as mudanças.
. Como corretor de
redações do Enem, por exemplo, e docente em Língua Portuguesa, o senhor
acredita que as reformas ortográficas aproximam a escrita do uso cotidiano da
população ou acabam dificultando o aprendizado em alguns aspectos?
Com relação às dificuldades de adaptação, a atual geração já
acostumou-se com a nova regra, porém os mais velhos ainda sofrem com as
mudanças da língua. Inclusive profissionais da educação e de outras áreas, que
ainda não se acostumaram plenamente com os novos verbetes. Com relação ao ENEM,
os participantes têm enorme dificuldades com o léxico, mas não necessariamente
relacionado ao acordo recente.
. Ao comparar
exemplares antigos de jornais com as publicações atuais, o que as mudanças na
ortografia revelam sobre a transformação da sociedade, da comunicação e da
própria relação das pessoas com a língua portuguesa ao longo das décadas?
Olavo
Bilac assim definiu a língua portuguesa: “Última flor do Lácio, Inculta e
bela”.
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