CPI da Robótica convoca ex-prefeito Mario Botion para depoimento
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura
possíveis irregularidades na aquisição de kits de robótica para a rede
municipal de ensino de Limeira avançou mais uma etapa e convocou o ex-prefeito
Mario Celso Botion para prestar esclarecimentos. A decisão amplia o alcance das
investigações, que se concentram em contratos firmados entre 2022 e 2023,
período em que ele ocupava o cargo de chefe do Executivo.
Mario Botion administrou o município em dois mandatos
consecutivos, de 2017 a 2020 e de 2021 a 2024. A comissão busca esclarecer a
participação da gestão municipal nas decisões relacionadas ao processo
licitatório e à execução dos contratos investigados.
A Gazeta de Limeira procurou a presidente da CPI, vereadora
Mariana Calsa, que confirmou que a convocação já foi emitida, mas informou que
ainda não há data definida para o depoimento.
O andamento da CPI também registra ausências e depoimentos
considerados inconclusivos pela Comissão. Em fevereiro, o ex-secretário de
Educação, André Luis de Francesco, foi convocado, mas não compareceu às três
reuniões para as quais foi chamado. No início deste mês, uma outra testemunha
afirmou ter tido “lapso de memória” durante depoimento na Câmara. Na mesma
ocasião, o ex-secretário voltou a faltar, o que gerou questionamentos entre os
vereadores.
Instaurada por meio do Requerimento nº 2/2025, de autoria do
vereador Estevão Nogueira, a comissão investiga indícios de irregularidades na
licitação e contratação de kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de
tecnologia educacional. Entre os pontos analisados estão possíveis casos de
sobrepreço, superfaturamento, direcionamento do processo licitatório e a
adequação pedagógica dos materiais adquiridos.
A CPI também busca identificar responsabilidades
administrativas, políticas e técnicas de agentes públicos e privados envolvidos
no Processo Licitatório nº 39.101/2022 e no Contrato nº 130/2023. Os vereadores
analisam ainda possíveis danos aos cofres públicos, eventual desvio de
finalidade e a atuação da Prefeitura e dos órgãos de controle interno na
fiscalização da execução contratual.
Na última semana, três servidores municipais prestaram
depoimento à comissão. Eles participaram da análise documental do processo
licitatório e afirmaram que o trâmite seguiu os procedimentos legais. Os
servidores destacaram que não tinham atribuição para avaliar o mérito das
contratações.
Com a convocação do ex-prefeito, a CPI entra em uma fase
considerada decisiva. A comissão pretende aprofundar a coleta de informações e
consolidar os dados para a elaboração do relatório final, que poderá indicar
responsabilidades e eventuais encaminhamentos legais. Até o momento, não há
conclusões definitivas, e todos os citados têm direito à ampla defesa e ao
contraditório.
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