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Casos de ISTs crescem entre idosos e reforçam alerta para prevenção

O avanço dos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) entre pessoas com 60 anos ou mais tem acendido um alerta entre especialistas e reforçado a necessidade de ampliar as ações de prevenção voltadas à população idosa. Dados do Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS do Ministério da Saúde mostram que, entre 2012 e 2022, os diagnósticos de HIV nessa faixa etária aumentaram 441%. Entre 2011 e 2021, foram registrados 12.686 diagnósticos de HIV, 24.809 casos de AIDS e 14.773 mortes entre idosos. Além disso, esse foi o único grupo etário que apresentou crescimento percentual no número de óbitos ao longo da década.

Na avaliação da ginecologista integrativa Monique Mion Burger, o cenário reflete mudanças no perfil da população idosa, que hoje mantém uma vida mais ativa, inclusive do ponto de vista sexual. "O público 60+ de hoje é muito mais ativo, inclusive sexualmente. Isso é extremamente positivo, mas exige também um olhar maior para a prevenção. O maior perigo é que muitas mulheres acreditam que, como não engravidam mais, não precisam usar preservativo", afirma.

Segundo a médica, essa percepção equivocada contribui para a redução do uso de métodos de proteção e aumenta o risco de transmissão de infecções. "As ISTs não escolhem idade. As pessoas acreditam que isso nunca vai acontecer com elas, mas não existe nenhuma característica que identifique quem está ou não infectado. Não vem escrito. Muitas doenças que antes eram mais comuns entre os jovens, hoje, também estão atingindo pacientes acima dos 60 anos", destaca.

Outro fator apontado pela especialista é a falta de educação sexual voltada à prevenção de infecções entre gerações mais antigas. Durante décadas, o preservativo foi associado principalmente à contracepção, e não à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Além do HIV, infecções como sífilis, HPV, herpes genital, gonorreia e clamídia também podem acometer pessoas idosas. Em muitos casos, essas doenças apresentam poucos ou nenhum sintoma nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce e favorece a transmissão.

Monique reforça que o uso do preservativo continua sendo a principal forma de prevenção contra a maioria das ISTs, independentemente da idade. Ela também destaca a importância de manter acompanhamento médico regular, conversar abertamente sobre a vida sexual durante as consultas e realizar exames sempre que houver indicação.

Para a especialista, o aumento da expectativa de vida deve vir acompanhado de maior conscientização sobre saúde sexual. "Falar sobre sexualidade na terceira idade ainda é um tabu, mas precisamos romper esse preconceito. As pessoas estão vivendo mais, com mais qualidade de vida e mantendo relacionamentos. O cuidado da saúde sexual faz parte desse processo e não deve ser negligenciado", conclui.

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